Hy-Brazil Delenda Phoenicia – Por Vitor Manuel Adrião

26 Sexta-feira Nov 2021

Parece ter se tornado instituição o muro de silêncio e ostracismo sobre a Pré e Proto História do Brasil. É como se este nunca tivesse existido antes da chegada de Cabral… Este mistério de ignorar ou de ocultar as provas, ou então as censurar e deturpar, é daqueles que não consigo decifrar, confesso.

Lembro há uns anos atrás ter chegado a Portugal a notícia televisiva de ter sido descoberta no fundo da baía de Guanabara (RJ) uma embarcação pressupostamente fenícia. Foi o “fim do mundo”! Os mais reputados historiadores vieram a liça gesticulando coléricos que essa “não passava de um barco de pescadores afundado recentemente” (como é que eles sabiam se não assistiram ao naufrágio, tampouco realizaram alguma pesquisa submarina no local?!) e que “antes de Cabral nada havia”… e a notícia morreu aí.

Lembrei-me desse acontecimento passado por recentemente ter lido sobre ele numa revista teosófica, o que me avivou a memória[1]:

“Um triste exemplo que comprova esse aberrante comportamento (académico) tivemo-lo em 1982, quando surgiu a notícia da descoberta de três ânforas reconhecidamente fenícias, retiradas da baía de Guanabara. O arqueólogo norte-americano Robert Frank Marx iniciou, em 1975, uma série de mergulhos na citada baía, para confirmar a hipótese do afundamento de um navio fenício ali. Não encontrou navio algum, mas sim as ânforas. O caso foi mediatamente abafado e somente foi divulgado, com informações vagas, três anos depois, em 1978. O assunto só voltou à baila em 1982, quando o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicou matéria sobre uma Conferência da Marinha, onde o presidente da Associação Profissional das Actividades Subaquáticas, Raul Cerqueira, relatou o achado das ânforas, cada uma delas com capacidade para 36 litros, juntamente com outras 12 peças arqueológicas. O nome do mergulhador que as encontrou foi então revelado: José Roberto Teixeira, que teria ficado com uma das ânforas, entregando as outras duas para o Governo Brasileiro que, segundo informações confidenciais, as mantém em local sigiloso.”

Ainda defronte à cidade do Rio de Janeiro, na Ilha Rasa, foram encontrados esqueletos humanos e paleogravuras datados para cima de 20.000 anos. Não é isto significativo?

Há ainda a notícia da descoberta de 40 urnas funerárias em Presidente Figueiredo, a 107 quilómetros ao norte de Manaus, sendo considerada um dos mais importantes achados arqueológicos do Amazonas de todos os tempos[2]. As urnas mantinham os mortos parcialmente conservados, o que revelava conhecimento herdado dos antepassados acerca dos processos de mumificação. O secretário municipal de Turismo e Meio Ambiente de Presidente Figueiredo, o geólogo Frederico Cruz, disse aos órgãos de comunicação social: “Essas urnas podem conter informações preciosas sobre as populações passadas e sobre as migrações dos paleoíndios que habitaram a região, com certeza há mais de dois mil anos”. Uma das urnas descobertas, de cinco metros de diâmetro no chão, supôs-se “poder ser uma urna gigante usada para enterro colectivo”[3]. Frederico Cruz acrescentou ainda que a Prefeitura de Presidente Figueiredo não era irresponsável ao divulgar informação tão extraordinária. Por causa da grande pressão de jornais e arqueólogos independentes, foi decidido que uma excursão pioneira coordenada pelo arqueólogo Marco António Rocha, do Centro Ambiental da Vila de Balbina, se deslocaria até ao local do achado para realizar os primeiros estudos.

Essas são notícias factuais, referentes a descobertas cientificamente comprovadas, as quais em nada ingerem com a posterior presença de Cabral no Brasil, ao contrário do que achou certa e desavisada comissão de portugueses patrioteiros em Maio de 1968, nisso sendo “mais papistas que o Papa”, como conta Moacir Lopes na sua Introdução à obra de Ludwig Schwennhagen[4]:

“Em Maio de 1968 lemos no jornal O Dia, do Rio de Janeiro, uma notícia vinda dos Estados Unidos, acompanhada da reprodução de um quadro de símbolos. Dizia o texto: “Encontrados na Paraíba e levados para Walthan, em Massachussets, nos EUA, estes símbolos foram estudados durante quase cem anos. Finalmente o professor Cyrus Gordon, especialista em assuntos mediterrâneos, conseguiu decifrá-los. Indicam que os fenícios estiveram nas terras que hoje formam o nosso país, pelo menos dois mil anos antes de Cristóvão Colombo descobrir a América e Cabral chegar ao Brasil”.

“Dois dias após a publicação dessa nota, vimos em outro jornal outra nota: “Lusos: Cabral chegou antes”, em que alguns portugueses radicados no Brasil mostram-se mesmo “revoltados, manifestando a disposição de fazer uma representação junto à Embaixada dos Estados Unidos”…”

Isso vem revelar ignorância crassa em termos históricos, como se o período Pré-Cabralino de alguma maneira ingerisse com o Cabralino e Pós-Cabralino do Brasil. Passo adiante.

De maneira que assim vou me achegando ao estudo filológico comparativo Sumério – Tupi, que é dos mais apaixonantes da Proto-História Brasileira, indo tomar por ponto de partida a palavra bíblica Ophir, que fez a glória de Israel e foi a joia mais cara da grandeza de Tiro, esta descrita pelo profeta Ezequiel:

“Ó Tiro, tu disseste: «Eu sou de uma beleza perfeita e situada no coração do mar”… Os cartagineses que traficavam contigo, trazendo-te toda a casta de riquezas, encheram os teus mercados de prata, de ferro, de estanho e de chumbo. A Grécia, Thubal e Mosoch também estes sustentavam o teu comércio: trouxeram ao teu povo escravos e vasos de metal. Da casa de Thogorma trouxeram à tua praça cavalos, e cavaleiros, e machos. Os filhos de Dedan negociaram contigo: o comércio das tuas manufacturas se estendeu a muitas ilhas, eles em troca das tuas mercadorias te deram dentes de marfim, e de pau ébano. Os sírios se meteram no teu tráfico por causa da multidão das tuas obras, expuseram à venda nos teus mercados pérolas, e púrpura, e estofos bordados de pequenos escudos, e linhos finos, e sedas, e toda a casta de mercadorias preciosas. Os povos de Judá, e da terra de Israel, foram os mesmos que comerciaram contigo no melhor trigo, eles puseram de venda nas tuas feiras o bálsamo e o mel, e o azeite, e a resina. O de Damasco traficava contigo pela abundante variedade dos teus géneros, pela multidão de varias riquezas, em vinho generoso, em lãs da mais alva cor… A Arábia, e todos os príncipes de Cedar, estavam também metidos na dependência do teu comércio: com cordeiros, e carneiros, e cabritos vinham a ti para comerciar contigo… Os teus vasos faziam o teu comércio principal: e tu foste cheia de bens, e elevada à mais sublime glória no coração do mar…”[5]

É Cândido Costa[6], repetido por Arthur Franco[7], a não economizar detalhes filológicos, devidamente apurados, no intento de comprovar a presença fenícia na “Ínsula” que depois se revelaria o Brasil, tomando por base da sua arqueofilologia diversas passagens do Antigo Testamento.

O rei David, quando morreu, deixou ao seu filho, o rei Salomão, para a construção do Templo de Jerusalém, 7000 talentos de prata e 3000 de ouro de Ophir. O velho rei não possuía nenhum navio que navegasse nos mares exteriores. Recebia, pois, o ouro de Ophir pelo tráfico com os fenícios, os quais, segundo a mesma Bíblia, “conheciam todos os mares”. Salomão, para pôr em execução os seus grandes projectos de edificação do Templo, recorreu ao rei Hiram I de Tiro. Interessou-o nas suas empresas e contratou com ele aliança sólida.

O receio de provocar hostilidades dos povos vizinhos do Mediterrâneo, sem dúvida terá sido o motivo que decidiu Salomão a construir em Esion-Gaber, no Mar Vermelho, os navios que destinava às viagens a Ophir, havendo para isso marinheiros fenícios experimentados que Hiram lhe enviara (Paraliponemos 2, cap. 8, vers. 18: “E o rei Hirão lhe mandou por seus vassalos naus, e marinheiros práticos do mar, e foram com a gente de Salomão a Ofir, e de lá trouxeram ao rei Salomão 450 talentos de ouro”). Ademais, na época, as Colunas de Hércules estavam fechadas aos gregos por Cartago e o comércio para as terras banhadas Atlântico tinha vigilância apertada.

A frota salomónica a Ophir terá ido muito além do Mar Vermelho. Deduz-se que terá passado o Cabo africano e se reunido, já no Oceano Atlântico, à frota de Hiram que saíra do Mediterrâneo. É a partir desta hipótese que Cândido Costa, por via da Filologia, tenta levantar o véu acerca da verdadeira identidade das ricas localidades bíblicas de Ophir, Parvaim e Tarschisch. Para isso, baseou-se no estudo comparativo das antigas línguas europeias e asiáticas, bem como na língua quichua ou dos antis do Peru, a qual ainda se falava, pelo menos em 1900, na bacia superior do Rio Amazonas.

Nos Paraliponemos 1, cap. 29, vers. 2-4, conta-se que Salomão adornou a sua casa com belas pedras preciosas e que o ouro era de Ophir e de Parvaim. Ora, Parvaim é pronúncia alterada de Paruim. A terminação im dá o plural em hebraico, e vem acrescentado a Paru, decerto para indicar uma duplicidade na ínsula occidis de Ophir; efectivamente existem, na bacia superior do Rio Amazonas (nome fenício dado à Ursa Menor), no território oriental do Peru, dois rios auríferos, um com o nome de Paru, outro com o de Apu-Paru, o “rico Paru”, e que unem as suas águas para se confundirem no Ucuayli. Filologicamente, os dois rios Paru e Apu-Paru perfazem, no plural, Paru-im. Ateste-se ainda que, primitivamente, o Rio Amazonas levava o nome Paruinga e que os autóctones tupis até hoje pronunciam Paranatinga (pronúncia Paranã-tinga, “o mar ou caudal branco”)[8].

O Rio Amazonas, desde a embocadura do Ucuayli até à foz do Rio Negro, chama-se ainda hoje Solimões. Este não é mais nem menos que o nome viciado de Salomão, cujo batismo poderá dever-se aos da frota hebraico-fenícia do rei bíblico, quando tomaram conta da terra, tanto que Salomão se escreve em hebraico Solimah e em árabe Soliman, donde Solimões, corruptela tardia. Çorinam, alterado SorimãoSolimão, donde Solimões, é o nome de uma tribo tupi do alto Amazonas que deu o seu apelido à parte do grande rio, acima do Rio Negro[9]. Nisto não se deve esquecer de que, na América, as correntes de água tiram os seus nomes das tribos que habitam junto delas. Daí também os portugueses bandeirantes setecentistas terem implantado a pronúncia rústica Solimão, por hábito de linguística não apurada em conformidade às poucas letras aprendidas, o que era comum no vulgar sertanejo.

Essa pressuposta colónia hebraico-fenícia terá tido uma duração assaz longa, pois as viagens trienais dos navios de Salomão e de Hiram se renovaram várias vezes, conforme se lê em Paraliponemos 2, cap. 9, vers. 13 e 21: “E o peso do ouro, que todos os anos se trazia a Salomão, era de 666 talentos de ouro. Porque as frotas do rei iam de três em três anos com a gente de Hirão a Tharsis (ou Tarschisch), e traziam de lá ouro e prata, e marfim, e bugios, e pavões”. “Marfim e pavões” parece remeter mais para a África congolesa do que para a amazónica América do Sul, mas poderá justificar-se o texto por eventual paragem da frota em alguma parte da costa africana. É ainda dito que a colónia amazónica não foi abandonada à sua própria sorte senão no reinado de Josaphat, rei de Judá, no tempo em que os cartagineses todo-poderosos não permitiam a nação alguma sair do Mediterrâneo. Poderá ter sido essa a razão porque Josaphat quis mandar sair do Mar Vermelho para essas mesmas regiões uma frota equipada, conjuntamente com Ochozias, rei de Israel. Porém, um terrível temporal destruiu-a completamente.

Passo agora a Ofhir, lugar de situação geográfica controversa, célebre pelas suas riquezas imensas. Antes de tudo o mais, devo lembrar que vários filólogos acreditaram poder fazer que prevalecesse o nome de Abiria, por ter sido a Ophir da Bíblia. Todavia, devem levar-se em consideração os factos seguintes:

Primeiro, o nome Abiria é a tradução latina do vocábulo grego Sabeiria, tomado da Geografia de Ptolomeu, livro VII, cap. I. A licença do tradutor é tão grande quanto censurável. Em segundo lugar, Sabeiria acha-se localizada na parte ocidental da Índia, que chamavam Indo-Scitia. Porém é reconhecido que a Índia, mormente na parte ocidental, nunca produziu ouro para o comércio; pelo contrário, os egípcios e os árabes para ali o levavam, para trocaram-no por tecidos de lã e algodão. Assim, a hipótese de que Sabeiria fosse a Ophir da Bíblia cai por si mesma!… Cândido Costa, na sua obra citada, aponta o filologista Esteban Quatremére que também não admite que Ophir estivesse colocada no Golfo Arábico ou em alguma parte da Índia, Ceilão, Sumatra, Bornéu ou em algum ponto do Extremo Oriente, pela razão muito simples de que os navios de Salomão e Hiram gastavam três anos em cada viagem dessas[10]. Mas não eram três anos de viagem, e sim viagens de ida-volta de três em três anos. Contudo, Quatremére cai no próprio erro dos que combate ao colocar Ophir em Soplah, na costa oriental de África. Para fortalecer a sua hipótese, Quatremére não hesita na escolha dos meios: assim é que, por não achar pavões na África (mas os há, como o pavão-do-congo, Afropavo congensis), quer que os pássaros chamados tulens na Bíblia sejam periquitos ou picotas. Curiosamente, muitos autores têm adoptado a teoria descabida, com laivos de brejeira ou anedótica, de Esteban Quatremére, ao colocar Parvaim e Ophir, o “País das Minas de Salomão”, na África. Devo acrescentar que o hebraico Parvaim é todo ele igual ao Paraim ou Paraima tupi, nome primitivo das Lavras de Minas, hoje Estado de Minas Gerais, enquanto Pindorama, em tupi, era o “País das Palmeiras”, hoje Brasil, o Hy-Brazil sumério.

No primeiro Livro de Reis aparece escrito Ophir em língua hebraica de três modos: Apir, Aypir e Aypira. Nada se opõe, antes se conclui, que o Aypira bíblico encontre o seu correspondente imediato no Rio Yapur, onde o Y significa “água”, ou seja, “água ou rio de Apir, Aypir ou Ophir”. Razão filológica da região de Ophir ser essa que atravessa o Rio Yapurá, no Amazonas, conectado ao significado tupi de “entre água, ilha”: Ypaú, alterado Ipaon e Upíon, este cuja fonética se identifica a Ophir.

Quanto à palavra hebraica Tarschisch, grafada de forma simples Tharsis, em sumério significa “Amazonas do Alto”, neste caso e astronomicamente, a Ursa Maior, obviamente acima da Ursa Menor, mas geograficamente só poderá ser, pela mesma lógica, a Alta Amazónia.

Parentes dos fenícios foram um outro povo dos mais ilustres da Antiguidade Clássica: o cário, provindo da Ásia Menor que deu nome ao território onde se fixou, a Cária, situado na Anatólia, a sudoeste da Europa, em cujo litoral estavam as famosas cidades de Halicarnassus e Mileto. Halicarnassus era o lugar do famoso Mausoléu que foi uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Mileto era a cidade do famoso Thalkes, de origem fenícia. Próximo ficava Rhodes, também sede de uma das Sete Maravilhas, o famoso Colosso. Heródoto descreve a importância real da Cária no Passado:

“Os cários eram uma raça que veio para o continente (europeu) a partir das ilhas (egeo-cretenses). Nos tempos antigos estavam sujeitos ao rei Minos, e o foram pelo nome de leleges (donde lelúgios, lúgios e lígures…), residindo nas ilhas e, tão longe quanto pude ir em minhas pesquisas, nunca sujeitos a prestar tributo a qualquer homem. Eles serviram a bordo dos barcos do rei Minos quando ele requeria; e então, como ele era um grande conquistador e prosperou em suas guerras, os cários eram, nos seus dias, de longe os mais famosos de todas as nações da Terra. Também foram os inventores de três coisas as quais os gregos copiaram. Foram os primeiros a colocar cristas nos capacetes e a colocar dispositivos nos escudos, e também inventaram punhos para os escudos. Nos tempos antigos, os escudos eram sem punhos, e seus usuários os manejavam pela ajuda de uma tira de couro que eles penduravam em torno do pescoço e do braço esquerdo. Muito tempo depois de Minos, os cários foram retirados das ilhas pelos jónicos e dóricos, e então estabeleceram-se no continente. Isto é o que os cretenses contam dos cários. Os cários mesmo contam algo muito diferente. Eles sustentam que eram os habitantes originais (originais e pós atlantes, aventarei) da parte do continente onde agora habitam, e nunca tiveram outro nome que este que ainda levam.”[11]

Essas cristas referidas no texto são, na realidade, uma característica da América Pré-Colombiana e do Brasil Pré-Cabralino. Era um hábito estranho à população europeia, como acentuou Heródoto. Isso poderá ser mais um indício etnográfico significativo a corroborar a presença desses povos mediterrânicos no continente americano. Observa-se em 1194 a.C. essas cristas na grande invasão dos povos do mar, os que varreram o Mediterrâneo e se caracterizavam por vestimentas muito idênticas às maias sul-americanas, inclusive a crista de penas. Adianta Arthur Franco na sua obra citada:

“Diodoro da Sicília (90-21 a.C.), escrevendo em 50 a.C., disse que os cartagineses seguiram na navegação os rastos dos cários nos mares do Oeste. Os cários usavam penas como os índios americanos. Segundo alguns historiadores, foram deixando na maior parte da América o seu nome, estabelecendo uma dinastia de sua raça que reinava em Quito, capital do Equador. Plutarco, em seu Tratado das Manchas no Orbe Lunar, conta-nos que, abrangendo todo o Ocidente além das Colunas de Hércules, o continente em que reinava Merope foi visitado por Hércules numa expedição que fez para Oeste, e que os seus companheiros ali apuraram a língua grega, que começava a adulterar-se. Segundo Heródoto, as origens gregas estariam na América. Ora, os indícios que as culturas de Cuzco, no Peru, de Yucatan, no México, de San Agustín, na Colômbia, apresentam na filologia é gritante. O prefixo car aparece em numerosas culturas ameríndias. Entre os indígenas das Honduras, figura a tribo dos caras. No centro e no sul de uma vasta região contígua vivem as tribos dos caricos, carihos, caripunos, carayas, caras, carus, caris, carais, caribos, cários, carannas, caribocas, cariocas, caratoperas, carabuscos, cauros, caricoris, cararaporis, carararis, etc. Isto pode não significar uma prova, mas é significativo que todas as tribos em cujo nome aparece o prefixo car chamem os brancos europeus de carasCarioca, por exemplo, na língua guarani, significa terra dos homens brancos.”

Como é universalmente sabido, carioca é a alcunha dada aos habitantes do Rio de Janeiro. Isso porque durante o Brasil-Colónia os negros e mestiços, tanto os alforriados como os mandados por algum dono de menos posses, andavam pelas ruas vendendo refresco de café, apregoando o produto em plenos pulmões: “I… car… ioca!”. Daí ficou “carioca”, por se destinar aos “senhores brancos”, endinheirados. Portanto, o epíteto será anterior e poderá ter sido aproveitado. Ainda hoje, mesmo em Portugal, quem deseja um café fraco solicita-o pelo nome “carioca”.

Os cários mediterrâneos, obviamente pós-atlantes ou do início do Período Histórico, seriam parentes dos outros cáris antilhos (das Antilhas ou “Atlante-ilhas”) que haviam ficado para trás, na América Central, após o Dilúvio Universal da Atlântida. Estes, mais tarde, irão ser organizados na região do Peru pelo filho de Manco-Capac e Mama-Oclo, Sumer ou Sumé, na sua marcha daí ao Sul do Brasil, já não como cáris mas sob o designativo de tupis, ou os adoradores de Tupan, o Deus Único e Verdadeiro, não como o sumério Baal-Bey (“Senhor dos Senhores”) mas como o indígena local Ara-Tupan-Cabayu (“Aquele que ‘cavalga’ ou governa a Terra”).

De maneira que, segundo Ludwig Schwennhagen na sua obra citada, nas crenças e noções religiosas dos tupis os missionários jesuítas encontraram as seguintes palavras:

1.º) Com o nome de Tupan veneravam os tupis o Único e Omnipotente Deus, como Criador e Governador do Mundo, o Fohat dos Iniciados, como “Fogo Frio Celeste” (Electricidade);

2.º) Pelo nome de Tupana indicaram os tupis a Força Divina e Criadora, exactamente como se chamava a deusa Cibele e cujo correspondente, como Feminino de Deus, está na Virgem Maria, a Kundalini dos Iniciados, como “Fogo Quente Terrestre” (Electromagnetismo);

3.º) A palavra Tupan-Kere-Tan, explicam os padres Manuel da Nóbrega e Anchieta, conforme a interpretação dada pelos pajés, traduz-se como “Terra da Mãe de Deus”, logo, “Terra Paradisíaca”, o que levaria os portugueses cabralinos da primeira vaga a batizá-la de Terra de Vera Cruz, que D. Manuel I depois quis que fosse Santa Cruz, mas nunca pegou bem este segundo apelido, mesmo sendo ambos referência última ao Cruzeiro do Sul, como vera ou verdadeira Santa Cruz que celestialmente coroa o imenso Brasil. Não tendo a língua portuguesa a letra k, os escritores posteriores escreveram Tupan-Cere-Tan, e traduziram “Terra de Ceres”, respectivamente, da Mãe da Natureza. O autor explica a palavra Tupan-Kere-Tan como a “Terra da Mãe Divina” ou a “Mãe Divina na Terra”, hoje representada na Virgem Negra “A Aparecida”, Padroeira do Brasil, como a expressão velada do Espírito Santo no Seio da Terra em permanente Actividade Criadora, posto “o Espírito Santo ser a Vontade de Deus posta em Actividade”, o que corresponde ao Filho de Deus, o Portador do “Hálito Vital”, o Prana dos Iniciados;

4.º) Existe na língua tupi também os nomes Kerina (igualmente escrito Querina) e Kera-ima, indubitavelmente derivados de Kaerimona (donde a portuguesa “cerimónia”), da língua de Car. Os piagas (ou pajés iniciados) explicaram a palavra como nome da “mulher sem sono, que não dorme e fica vigilando para ajudar às mulheres doentes que a chamam”. Outros interpretaram Kerina como a “mãe da água”, que protege a criação de peixe contra aqueles que os envenenam usando timbó (a paulinia pinnata, planta cujo suco mata o peixe, muito comum na Amazónia). Os padres jesuítas alcunharam depois as mulheres que não pediam o batizado das suas crianças de Kera-ima, qualificando-as como “adeptas de Kerima”, que é dizer, da primitiva religião cária.

Essas quatro palavras da religião tupi (a original e verdadeira do Brasil, tal como a raça), apresentam para o historiador e filologista a prova dessa religião ter sido introduzida e propagada no Brasil pelos sacerdotes chamados piagas, respectivamente da Ordem de KAR. Com efeito, o nome oficial dos membros da Ordem de KAR era piaga. P.I.A. é uma palavra cabalística dos Magos da Ásia Menor, com o significado genérico de “religião”, cuja sigla lê-se em sumério PILESER IAR ASSURETH, “domínio do Plano Mental”. A.G.A. – AGARIT AGAD AGAROM, “que faz Bem, Bom e Belo” – é “servidor de Deus, trabalhador da Fé, guia do Povo, ministro de Deus e do Rei”.  Portanto, piaga é o “propagador da religião”. No tupi encontra-se a palavra pia para “coração, bom andamento (representado pela letra k = um homem caminhando adiante), caridade e obediência”. O mesmo significado tem a palavra pia na língua fenício-pelasga. No grego mudou o p em bbia é a “força moral e física”, bios é a “vida”, movida pelo coração. No latim tem-se: pia, pius, piare, pietas (piedade) e muitos outros compostos.

Pode-se situar na época de 1800 a 1700 a.C. o momento em que saiu da Caldeia, como emissário da Ordem dos Magos, o progenitor, consequentemente, coordenador e legislador dos povos cários, chamado K.A.R. – KHA ASSURETH RISIL (“Espírito Universal do Fogo”). A sigla do nome é uma fórmula cabalística que pertenceu aos segredos da dita Ordem, que aqui revelo pela primeira vez. Kar ou Car fundou a confederação dos povos cários, com a capital Hali-Kar-Nassos (“Jardim Sagrado de Kar”) na ponta do sudoeste da Ásia Menor. Heródoto nasceu na mesma cidade e deixou à posteridade, na sua História Universal, os principais traços da vida e da grande obra civilizadora de Car.

A religião propagada por Car baseava-se na crença em um Deus Único Omnipotente, a quem ele chamou P.A.N., também uma palavra cabalística (PILESER ASSURETH NISAB), significando “Senhor do Universo”. Já TU-PAN, o mesmo Deus Omnipotente na religião tupi, significa “adorado Pan”. Na língua dos cários, fenícios e pelasgos, o substantivo thus, thur (respectivamente tus, tur e tu), significa “sacrifício da devoção” e “incenso”. Tudo o que o homem oferece a Deus é, na língua dos sacerdotes cários, T.U. (TUN UNA), igualmente sigla cabalística. O infinito do verbo sacrificar é, no fenício, tu-na; no grego, thu-ein e thy-ein; no latim, tu-eriThus, também no latim, é o incenso que se oferece a Deus e os seus respectivos deuses ministros. A origem de TUPAN, como nome do Deus Omnipotente, recua à religião monoteísta de Car, PAN, vulgarizado no grego antigo como indicativo da “Religião Natural” antecessora da “Religião Crença” que um dia, queiram os Deuses, haverá de dissolver-se para só ficar a “Religião Sabedoria”.

Esse carácter monoteísta do culto a TU-PAN, o Pai, não alterado – como sucede actualmente na religião cristã – pelo culto paralelo e complementar à Divindade Feminina, a Mãe, TU-PANA ou TU-KERA, como era reconhecida na adoração dos povos da Ásia Menor, nome depois adaptado para KybeleCibele e Ceres. O nome da deusa Ceres foi escrito no latim arcaico Caeres e Kaeres, cujo nome é uma forma feminina de Kar. Outras formas femininas são karmosa, karmina, kaermona, kaerimona e caerimona, donde vem a palavra portuguesa cerimónia, que antigamente significava “o gesto altivo da sacerdotisa de Vesta”. A Ordem das Vestais era uma filial da Ordem das Cariátides, cuja primeira líder foi Caria, filha de Car. No Brasil, encontram-se os cabayus e as goarás ou garás entre os tupis carijós; essas assistentes daqueles, tal qual a sacerdotisa assiste ao sacerdote completando-se ambos, numa androginia mística ao longo do rito sagrado.

De maneira que se poderá situar a religião tupi, aparecida no Norte do Brasil, na época de 1050 a 1000 a.C., precisamente no período dado à presença fenícia aí. Neste sentido, essa religião seria propagada por sacerdotes cários, emissários da Ordem dos Piagas, sob a direcção do seu chefe espiritual e temporal chamado Sumer, cujo nome mudou, pelo abrandamento da letra r, em Sumé, que depois os missionários jesuítas, desejosos de impor a fé católica aos autóctones, associaram à pessoa do apóstolo Tomé[12].

Portanto, a língua tupi será um ramo da língua suméria, formada e falada pela Ordem dos Magos, na Caldeia, desde os tempos do rei Urgana, isto é, 4000 anos a.C. Esse rei Urgana possuía o título de Sumer, como supremo chefe temporal e espiritual da nação e da Ordem dos Magos. Assim, Sumer é o título daquele que detém as duas funções, a real e a sacerdotal.

De maneira que, ainda segundo Schwennhagen, a emigração dos cários (sacerdotes e instrutores) acompanhando os fenícios (guerreiros e construtores) ao Hy-Brazil, terá se efectuado desde 1100 a 700 a.C. Posteriormente os exploradores europeus, destacadamente os portugueses, encontraram no Brasil numerosas populações que se chamavam cara, carara, caru, cari, cariri, cairari, carahiba, caryo e cariboca.

Aos missionários portugueses os pajés chamaram cara, cari, cário, que significa “homem branco”. A cor branca é no tupi tinga, também uma palavra pelasga, de cuja raiz vem o nosso termo tingir. A palavra tupi tabatinga significa “preparada de cal e argila branca”. Mais tarde transferiu-se o nome tabatinga à argila dessa cor. A palavra oca significa “casa”, e pertence também à língua fenício-pelasga. No grego mudou-se oka em oekaoikaoikia; “administração da casa” é, no grego, oiko-no-mia, donde vem a nossa palavra “economia”. Então a palavra tupi tabatinga significa “casa branca”; mas cari-oca é a “casa dos brancos”, ou seja, dos cários.

É o próprio e insuspeitável Teodoro Sampaio, no seu valioso tomo O Tupi na Geografia Nacional, na página 218, declaradamente a vir ao encontro do que aqui se expõe, afirmando e defendendo:

“CARAY. O apelido do homem branco, europeu, entre os tupis significando o mesmo que carahyba, de que é forma contrata. CARIBOCA. Tirado ou precedente do branco, do europeu. CARIIÓ. O procedente do branco, europeu. CARIOCA. O mesmo que carió ou cariyó. O mestiço descendente de branco. Pode vir ainda de cary-oca, significando a casa do branco, a residência do europeu. CARIOS. Cariós ou caryós, grafia usada por autores espanhóis para o nome da nação tupi-guarani, habitando a costa do Brasil, de Cananeia para o Sul. PIAGA. É o feiticeiro ou pajé entre os caribas.”

Esses “cários ou cariocas brasileiros” serão, na verdade sem preconceitos, antropológica, arqueológica, histórica e filológica, os descendentes dos homens brancos que emigraram para o Brasil, nos navios dos fenícios, na época de 1100 a.C. em diante. A pátria desses emigrantes eram os países reunidos na confederação dos povos cários, que abrangia quatro divisões:

1.ª) Caru, que se estendeu desde o Promontório Carmelo até ao Monte Taurus; a grande metrópole desse país era a cidade de Tur (respectivamente, Tiro). Os gregos denominaram esse país de Fenícia, e hoje é chamado Síria[13].

2.ª) Cari, que abrangia a costa meridional da Ásia Menor, à qual os gregos chamaram Kilikia, respectivamente, Cilicia. Uma das maiores cidades dessa província era Taba, que lembra Taba-jaras, podendo significar “senhores de Tabas” ou “cidadãos de Taba”. Este último sentido parece mais razoável. Perto da cidade de Taba passa o rio Pinaré, o que lembra o rio Pinaré (não Pindaré) do Maranhão, onde o lago Maracu mostra ainda hoje as linhas de estejos petrificados, que parecem ser os restos dos pressupostos estaleiros dos fenícios.

3.ª) Cara ou Cária, com a esplêndida capital Hali-Car-Nassos, cuja situação geográfica rivalizava em beleza com a do Rio de Janeiro, onde os cários terão fundado uma colónia com o nome entusiástico: “Dos Cários Casa” (Cari-oca).

4.º) Caramania foi o vasto hinterland que se estendia atrás de Caru e Cari, até ao Eufrates. A capital dessa província era Carmana, e terá sido daí que supostamente vieram os pequenos comerciantes (caramanos, mas também caramaras) indo estabelecer-se no interior do Brasil. Se assim foi, eles terão viajado nos navios fenícios e neles estará a origem do nome Carcamano.

Creio deter autoridade e autonomia bastantes para decidir do que devo e não devo dizer ou escrever ante o muito que já foi dito e escrito por outrens, não raro com equívocos sobre imprecisões cimentados em plágios de outros plágios, tornando-se quase «normal» ou vulgar a ocultação das fontes consultadas. Assim, considero chegado o momento de levantar a ponta do véu da História Secreta do Brasil Fenício. O que irei descrever será em forma de narrativa muitíssimo sintetizada, mas com todas as linhas gerais dessa odisseia mais que histórica, iniciática, sem deixar de reiterar o apelo a alguns e algumas a que doravante desistam do péssimo hábito de plagiar o alheio, tomando por seu o que a outrem pertence.

Segundo o Professor Henrique José de Souza (a quem os seus pares consideram o Venerável Mestre JHS), a flotilha que foi armada para trazer o imperador e a imperatriz (sua jovem segunda esposa) depostos, Badezir ou Baal-de-Zir e Anazir ou Bel-de-Zir, o príncipe e a princesa, irmãos gémeos, Yet-Baal-Bey e Yet-Baal-Bel, assim como os sacerdotes, elementos da corte, do exército e do povo que lhes ficaram fiéis, e algumas dezenas de escravos núbios, era composta de seis navios: no primeiro vinham Badezir e Anazir ou Anamin, os dois filhos gémeos, oito sacerdotes, cujo primeiro ou oitavo, como sumo-sacerdote, tinha o nome de Baal-Zin (“o deus da Luz e do Fogo”, que iria dar início à fusão monádica Fenício-Inca-Tupi), e o segundo com o nome de Aza-Gadir (“o escriba de Gades”), seu assistente, dois escravos núbios fiéis aos seus senhores, os príncipes e a marinhagem, acompanhada de soldados que, em princípio, deveriam voltar depois à Fenícia… Nos outros navios, além de gente do povo vinham mais 49 militares de patente superior, também expulsos do país por terem ficado ao lado do rei Badezir e dos seus dois filhos mais velhos… e mais 222 que, como Assureths, a bem dizer, constituíam a elite desterrada da nação fenícia – os Macários ou Makaras, em sânscrito – e que iriam originar o nascimento da Raça de Tupan, a Tupi, ao mesmo tempo que, direi assim, “cartografavam” os pontos nevrálgicos dessa parte do continente americano, assinalando os que viriam a ser os Sistemas Geográficos de São Lourenço (Moreb), Itaparica (Airu) e Xavantina (Ararat)[14].

Esses 222 Makaras organizados em torno de seus 7+1 sacerdotes dirigentes, os Piagas, deram origem à Ordem dos Macários, ou simplesmente Ordem dos Cários, cuja função principal era darem protecção à família real e organizarem a geração de 777 criaturas que pudessem tornar-se a semente privilegiada da futura 7.ª Sub-Raça Ariana. O seu emblema configurava-se da seguinte maneira:

Para conseguirem os seus propósitos, firmaram um Sistema Geográfico Atlante-Ário na vasta região arredor da baía de Guanabara, na zona de Niterói (Nish-Tao-Ram, o “Caminho Iluminado pelo Sol”), tendo desembarcado na praia de Caraí (ou Cária), o qual hoje é conhecido como Sistema Geográfico de Teresópolis, cujo centro “geodésico” na Serra dos Órgãos ficou assinalado no maciço rochoso “Dedo de Deus” (Aca-Bangu). Terá dirigido a sua fundação o Manu ou Legislador cário-tupi que hoje se conhece como Mora Moratin, o qual e com o decorrer do tempo, a partir do reduto central desse Sistema Geográfico, conduziu o seu povo para a região de Ayuruoca, onde seriam lançadas as bases do actual Sistema Geográfico Sul-Mineiro. Esse primitivo Sistema Geográfico Atlante-Ário constituía-se das seguintes cidades:

8.ª Cidade – TERESÓPOLIS (Charma)
7.ª Cidade – NITERÓI (Nishtaoram)
6.ª Cidade – NOVA FRIBURGO (Kariçura)
5.ª Cidade – CANTAGALO (Smurga)
4.ª Cidade – SÃO FIDÉLIS (Nanara)
3.ª Cidade – PARAÍBA DO SUL (Balabana)
2.ª Cidade – MARQUÊS DE VALENÇA (Melkzir)
1.ª Cidade – BARRA DO PIRAÍ (Numbal)

Foi a partir desse Sistema Geográfico que o imperador fenício Badezir constituiu dois Governos, no que é hoje o actual Brasil (que dele herda o nome): o Temporal, abrangendo todo o Norte, desde o Amazonas até à Bahia, dirigido por ele próprio, e o Espiritual, com jurisdição sobre a parte Sul, que, limitando-se com a parte já citada, estendia-se até onde hoje se denomina Rio Grande do Sul, o qual era chefiado pelo seu filho Yet-Baal (“o deus branco”).

Ficava constituído o Sistema Geográfico de Teresópolis, Ário e Atlante, isto é, constituído dos fenícios ou cananeus desterrados à vanguarda, com os autóctones que os seguiam e de que veio a nascer a raça vermelha dos tupis, já de si descendentes dos caraíbas atlantes, ou seja, daqueles que atravessando o Mar das Caraíbas, na Época Atlante terra firme, em fuga da catástrofe continental, foram estabelecer-se na Alta Amazónia, donde depois foram descendo e, por diferenciação, deram origem às várias tribos, aos vários povos indígenas do Brasil. Esses indígenas que se encontram hoje, esses selvagens, são assim remanescentes degenerados de raças que tiveram grandes conhecimentos em outras épocas, como demonstram as suas elaboradas e singulares tradições religiosas que, na verdade, estão em desacordo total com o primitivismo dos seus hábitos.

Disse “ficava constituído” mas não firmado esse Sistema Geográfico, por ter sido interrompido pelo rompimento da tessitura psicofísica entre o Templo da Pedra da Gávea, no actual São Sebastião do Rio de Janeiro, ex-capital da República Brasileira, e o Centro Espiritual em Teresópolis, situada também no Estado carioca a norte da sua capital, na microrregião serrana.

Com efeito, além dos dois filhos primogénitos Badezir tinha mais outros cinco, três dos quais acompanharam o pai no desterro apesar do ódio que sentiam pelos irmãos mais velhos por ciúmes deles serem os preferidos de seu pai, e foram quem instigou o povo exilado à revolta conta a política estabelecida do velho monarca, desencadeando-se uma réplica fatal da anterior revolução político-social e militar sucedida entre os de Tiro e Sidon. Foi por essa altura, diz a narrativa teosófica, que a chamada “sombra astral” do Luzeiro de Marte, chamada pousou a sua Mão de Diabo no terceiro filho do imperador desterrado, passando a agir por ele, e foi assim que passou à História Iniciática e Secreta do Brasil com o nome de Mano Satanas, apodo perpetuado nas crónicas dos navegadores árabes.

A influência maléfica de Mano Satanas insinuou-se no seio do povo e inclusive de alguns mais notáveis da corte religiosa e militar de Badezir. Geraram-se divisões, houveram contendas, a anarquia e o desespero começaram a campear, foram apagando-se as luzes de civilização no retorno ao estado de selvagismo. O ponto crítico decisivo da ruptura e fracasso total desse projecto sinárquico de uma Novis Phoenicia, de uma Hy-Brazil Delenda Phoenicia, deu-se com o seguinte episódio:

Vindos numa barca de Niterói para o Rio de Janeiro, os Gémeos Espirituais Yet-Baal-Bey e Yet-Baal-Bel, acompanhados de dois escravos núbios que lhes eram apaixonadamente fiéis, juntamente com o seu tutor espiritual Azagadir, em plena baía de Guanabara, as forças maléficas de Mano Satanas desencadearam uma súbita e terrível tempestade, tendo a barquinha naufragado perecendo os dois irmãos e os escravos, salvando-se a custo o sacerdote que recolheu os corpos afogados.

Adianta a narrativa teosófica que depois os príncipes e os escravos foram mumificados e recolhidos no interior da Pedra da Gávea, então usada pelos fenícios como mirante, já de si se sabendo que a gávea é o mirante dos navios. No interior do rochedo colossal haviam escavado um espaço enorme destinado a funções de templo, que assim se transformou em túmulo. Templo-Túmulo ou Metaracanga foi a Pedra da Gávea, durante largos séculos assinalando o pesado débito ou karma de toda a cidade condenada e ainda assim maravilhosa do Rio de Janeiro.

Mano Satanas, o grande culpado da tragédia, por sua vez foi condenado pela Lei Suprema a que o corpo de sua alma de mago satânico ou Nirmanakaya Negro ficasse encarcerado vivo no interior do Paú Assu, vulgo penedo do Pão de Açúcar, na verdade o “Cárcere do Assura”.

Essa situação manteve-se até cerca de 1938, diz a Tradição Iniciática, ano em que a Grande Fraternidade Branca dignificou o Posto da Glória e a Pedra da Gávea, ambas no Rio, ordenando pouco depois que todo o recheio fúnebre no interior dessa última fosse transladado para um outro Templo no seio da Serra do Roncador, onde também está o túmulo de Badezir e esposa, esta falecendo pouco depois da sua chegada aqui, vítima de febre tropical, e aquele, por desgosto, poucos anos após a morte dos filhos mais amados.

O Posto da Glória está hoje assinalado e velado por uma igreja cristã, no topo de um outeiro lateral ao da Gávea, por onde se penetra por vasta galeria subterrânea, inicialmente descendo em caracol, levando ao seio profundo e quiçá jucundo da Terra, à região que as tradições secretas do Oriente chamam Badagas e as sul-americanas Sedotes.

O Outeiro da Glória da cidade do Rio de Janeiro, foi outrora denominado Morro do Laripe. A igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro aí construída (1714, finais do século XVIII) pela Irmandade do mesmo nome, deve-se ao culto do Orago que surgiu no século XVII.

Devo abrir um parêntesis para repetir a afirmação do respeito pessoal pelas ideologias e crenças alheias, nisto tendo a ver com os restos renitentes do chamado Karma Atlante do que é hoje o Brasil: nas regiões litorais do Rio de Janeiro e da Bahia, maioritariamente, assim como no Mato Grosso, Goiás e no litoral Amazónico, minoritariamente, campeiam as crenças e práticas animistas afro-ameríndias, avultando o psíquico e rareando o mental, ajuntando grande número de adeptos das classes média e baixa, incluindo alguns bons esoteristas parecendo terem começado bem e seguirem mal, alguns inclusive revestindo-se de “poses e títulos imaginários”, abraçando fantasias oníricas da chamada  “arqueologia fantástica” até subindo escarpas alterosas ou adentrando cavernas perigosas, em pretensões inocentes e desapuradas, podendo resultar, e não raro resulta, em acidentes graves e até fatais, isso tanto por falta de disciplina como de informação credível o que parece desaguar na pretensão falaz de “pôr-se o carro à frente dos bois”, isto é, pretender dar saltos por cima do curso natural da Evolução. Mais que não é de mais: ninguém entra em casa alheia sem ter sido convidado. Digo isto como pretexto de apelo à boa consciência a fim de se evitarem, doravante, mais tragédias psíquicas e físicas, pessoais e colectivas, e assim mesmo reiterando o devido respeito pessoal pelas crenças alheias, mesmo sendo afro-lemurianas ou no mínimo afro-atlantes, pois o que importa é o Homem e não aquilo que ele acredita e pratica, seja por que motivo for, desde a ingenuidade à alucinação… Sim, reitero o Mundo Iniciático ou Espiritual nada tem em comum com “psiquismos populares” e “ocultismos divinatórios”, isentos de Ordem e Regra de Tradição. Peço as maiores desculpas se com isto ofendo alguém crente de alguma crença mas tal não é a minha intenção, tão-só “separar o trigo do joio”.

Para finalizar esta história retirada aos pergaminhos dos Anais da Teosofia Brasileira: com a morte prematura da família imperial desterrada, os restantes componentes da sua comitiva abandonaram o projecto de Badezir, abandonaram mesmo a Taba Hy-Brazil. Os que restaram fizeram-se ao mar de largo regressando ao Médio Oriente, onde viriam a fundar o Sistema Geográfico de Jerusalém, de maneira a criar condições humanas e sobretudo espirituais de um dia poderem regressar a essa do Futuro.

Para trás deixaram as sementes monádicas frutificadas na Raça Tupi, de que se serviria Mora Moratim, no ano 1000 d.C., para fundar o Sistema Geográfico Sul-Mineiro, indo projectar a sua influência até ao Norte, de maneira a fundi-las com as sementes Incaicas, dando origem à Raça Inca-Tupi como “argamassa monádica” do Futuro Brasileiro que, afinal, já desponta na alvorada dos Tempos.

NOTAS

[1] Aluysio Robalinho, Bernardo Ramos, o “Champollion Brasileiro”In revista Dhâranâ, Ano 76, Edição 236, Agosto 2000.

[2] Jornal A Crítica, Manaus, de 4, 6, 7 de Abril de 2000.

[3] A propósito, lembro que os fenícios acreditavam na vida além-túmulo e que para a mesma, tal como os egípcios faziam, levavam o “duplo” (astral) dos objectos que lhes foram mais caros durante a vida terrena. Sepultavam o morto com os seus objectos de uso corrente, tais como lâmpadas, vasos e joias. Para evitar os costumazes violadores de sepulturas, procuravam-se lugares escondidos e abrigados, como poços profundos e cavernas. Os fenícios adquiriram o hábito, certamente por influência egípcia, de mumificar pelo menos os cadáveres das pessoas mais importantes. Não é possível dizer com certeza a época em que tal costume foi introduzido na Fenícia, pois as condições climatéricas não favoreceram, como no Egipto, a conservação indefinida das múmias. Cf. Mário Curtis Giordani, História da Antiguidade Oriental, 10.ª edição, Editora Vozes, Ltda., Rio de Janeiro, 1969.

[4] Ludwig Schwennhagen, Antiga História do Brasil (De 1100 A. C. a 1500 D. C.). Tratado Histórico. Segunda edição. Introdução e notas de Moacir C. Lopes. Livraria e Editora Cátedra Ltda, Rio de Janeiro, 1970.

[5] A Bíblia Sagrada, tradução de António Pereira de Figueiredo, Vol. V, pág. 91 e segs., Lisboa, 1807.

António Pereira de Figueiredo (n. Mação, 14.2.1725 – m. Lisboa, 14.8.1797), era filho de António Pereira e Maria de Figueiredo, cujo apelido veio a adoptar quando abandonou o hábito religioso. A 1.4.1736 entrou no Colégio Ducal de Vila Viçosa, onde aprendeu Latim, Latinidade e Música. Em 1743, passou para Santa Cruz de Coimbra. No ano seguinte, veio para Lisboa e ingressou na Casa do Espírito Santo, da Congregação do Oratório (S. Filipe Néri), onde estudou Filosofia e Teologia e se aperfeiçoou em Latim e Latinidade. Em 1757, grave doença obrigou-o a seguir para o Norte. Esteve em Viseu e no Porto, e daí, já restabelecido, em 1759 regressou a Lisboa, onde na Casa Real das Necessidades, da referida Congregação, ensinou Teologia, Latim e Retórica. Em 1761, quando estavam cortadas as relações entre Portugal e a Santa Sé, Figueiredo tomou a defesa do Regalismo, da Corte Portuguesa, contra o Papismo, a Cúria Romana, dando-se de ligações à Maçonaria Bávara por intermédio do Marquês de Pombal a quem apoiou. Como tinha a confiança deste, foi eleito deputado na Real Mesa Censória, à data da sua criação (1768), e no ano seguinte provocou o maior dos “escândalos”, que até hoje a Igreja não o perdoou e por isso o ostraciza: abandonou abruptamente o hábito religioso para se casar com uma mulher com quem convivia desde alguns anos. E para piorar as coisas, dizia-se que ela era luterana! Após abjurar ao sacerdócio, passou a exercer as funções de oficial maior de línguas na Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Em 1779, entrou para a Academia Real das Ciências, recentemente instituída. Nos últimos anos de vida, foi tomado de forte neurastenia, pelo que em 1785 se recolheu, a seu pedido, como hóspede à Real Casa das Necessidades, que deixara anos antes. Esmoler e caritativo, Figueiredo era dotado de invulgar inteligência e possuía vasta cultura. Latinista de renome europeu, provocou uma revolução no ensino, com o seu Novo Methodo de grammatica latina (editado em Lisboa, 1752), adoptado no Reino de 1759 a 1834, ano da extinção das ordens religiosas em Portugal. Músico, devem-se-lhe motetoslições para os ofícios da Semana Santa, etc. A sua obra musical tem interesse histórico por reflectir “a luta travada entre a Escola Napolitana”, que entre nós ia ganhando terreno, “e a tradição polifónica que, embora progressiva, predomina desde o século XVI até então” (in Mário de Sampayo Ribeiro). Mas o que mais lhe perpetuou a memória foi a tradução portuguesa da Bíblia segundo a Vulgata Latina (publicada em 17 volumes, Lisboa, 1783-1790), obra de grande mérito sob os pontos de vista literário e filológico. As notas exegéticas, contrárias ao parecer oficial da Igreja, foram, porém, criticadas por outro Oratoriano (in Reflexões theologicas). E em algumas edições posteriores, as notas condenadas foram até suprimidas. Imbuído de mentalidade regalista, à qual não escaparam até vários bispos da época, Figueiredo viu algumas das suas obras condenadas pela Congregação do Índex (especialmente as teses De suprema regnum e a Analyse da profissão de fé do S. P. Pio IV). A sua formal retratação que chegou a afirmar-se, foi desmentida por um sobrinho (in A Instrucção Pública, IV).

[6] Cândido Costa, As Duas Américas. Antiga Casa Bertrand, José Bastos – Mercador de Livros, Lisboa, 1900.

[7] Arthur Franco, A Idade das Luzes. Wodan Editora Ltda, Porto Alegre, 1997.

[8] Teodoro Sampaio, O Tupi na Geografia Nacional. 5.ª edição. Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1987.

[9] Teodoro Sampaio, ob. cit. A 1.ª edição desta obra data de 1901. As 2.ª, 3.ª e 4.ª, respectivamente, de 1914, 1928 e 1955.

[10] Esteban Quatremére, Investigaciones históricas y criticas sobre la lengua y la literatura del Egipto. Paris, 1808.

[11] Heródoto, The History, Book I. Enc. Britannica, 1952.

[12] João Antenógenes Prudêncio da Costa, Purpúreo: as histórias do nome do Brasil. Edição do autor, São Paulo, Setembro de 2002.

[13] A Fenícia tinha o seu epicentro no norte da antiga Canaã, ao longo das regiões litorais dos actuais Líbano, Síria e norte de Israel. Caindo sob o domínio do Império Romano, a Fenícia foi incorporada à província romana da Síria que, curiosamente, recebeu esse nome pela corruptela da pronúncia grega do nome Tiro. Os seus habitantes eram tírios, por conseguinte, sírios. E a região, Síria, como é designada até hoje.

[14] Comunidade Teúrgica Portuguesa, Apostila 66 da Série Interna de Integração ou do Munindra.

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