O Destino das Almas após a Morte – Por João Paulo Miranda

Na clássica obra “O Livro Que Mata a Morte”, o gênio espanhol Mário Roso de Luna, cita, na sua introdução, a passagem bíblica em que o apóstolo e alto iniciado São Paulo afirma que a morte é a maior das mentiras:“…há um corpo material e um corpo espiritual: quando isto se saiba, que será, ó Morte, de tua mentira?…”(Coríntios 1,15).    

A morte, de fato, não existe, ela é a maior das mentiras…

Embora não passe de uma “maya”, uma ilusão, a morte ainda é um tabu para a maioria das pessoas.

Muitos evitam até falar dela, como se isso atraísse, nos seus entenderes, o pior dos maus agouros, que outro não seria senão a própria morte.

Aliás, como é um tabu, sequer somos preparados para ela durante as nossas vidas.   

A morte é o mais natural dos fatos da vida, tão elementar como o nascimento.

Ela tornou-se um tabu à medida que as comunidades humanas foram se tornando cada vez mais materialistas no decorrer dos milênios, e isto é fato.

Conforme nos afastamos das nossas “Essências”, fomos cada vez mais e mais seduzidos pelas “ilusões” da vida material, passando a imperar a ideia “como só se vive uma vez, vou mais é me chafurdar nos prazeres da carne e da matéria”.

Você já parou para pensar que a maioria de nós vive como se não fosse morrer algum dia?

Ora, se não fosse assim, porque as pessoas em geral têm tamanho apego à matéria, ao dinheiro, ao ‘status’, às suas posições sociais, seus orgulhos,ao sentimento de posse às outras pessoas, etc., etc.?

É a nossa eterna “vaidade”, um dos “sete” pecados capitais… até me lembro daquela passagem do filme “O Advogado do Diabo”, em que o diabo, interpretado por Al Pacino, diz: ”vaidade, definitivamente meu pecado favorito”…

O tabu da morte, portanto, está na raiz das veleidades e vaidades humanas…

No entanto, a despeito das nossas soberbas e do tabu envolvido, quando não até de certo desdém com que tratamos o assunto quando vem à tona, a morte é inexorável.

Mais cedo ou mais tarde ela aparecerá a nós todos, com a foice numa das mãos, e aquele sorriso levemente zombeteiro do Arcano 13 do Tarô, nos intimando, Oficial de Justiça do além, a entrar no “barco de Caronte”.

E assim chegamos “ao além”, lisos, “sem lenço e sem documento”, da mesma forma como chegamos ao mundo quando nascemos (ou melhor, renascemos).      

Desencarnamos carregando apenas os “valores” que conseguimos construir internamente, em nossas almas, através de nossas experiências e vivências acumuladas no decorrer das existências dentro da “Roda de Samsara”, a Roda dos Ciclos Nascimentos e Mortes. Mais nada.

A Teosofia nos ensina que o fenômeno “morte” de um ser humano não envolve apenas a morte física. Na realidade ocorrem três (3) mortes!

Ora, mas a morte não é a maior das mentiras? E agora? Como assim? Três mortes? Em vez de uma, três?

Sim. Pode parecer disparatado, mas não é, e já vou procurar esclarecer melhor esse por quê.  

Segundo a Sabedoria Iniciática das Idades, tudo obedece uma lógica baseada no princípio cosmogenênico numérico representado pela “sigla” 137.

O 1 (Uno, o Todo, o Eterno), manifesta-se no 3 (a Trindade) e evolui na escala sétupla, o 7.

Quando se trata de vida e morte, este princípio aplica-se com exatidão, como não poderia ser diferente.

Nos seres humanos, a Unidade (também denominada de Mônada, o 1), manifesta-se na trindade (o 3) formando Espírito (representando a centelha imortal, a causa), a Alma (que é a conjugação de mente e emoção) e o Corpo físico (o veículo pelo qual a alma se expressa e evolui).       

Pois bem.

Quando um ser humano falece, a sua alma se desliga do corpo físico. Como a alma (anima), deixa de “animar”, alimentar energeticamente o corpo físico, este começa o processo de decomposição, de volta à “terra”.

Deixando o mundo físico, a alma passa a viver na camada que lhe compete no mundo astral, que nada mais é do que um símile deste nosso mundo material. Ou melhor, o contrário. O mundo material é que é um símile, uma “projeção” do próprio astral.

No momento do desencarne, quando do desligamento da psique do corpo físico, a pessoa vê um retrospecto das experiências daquela vida em específico, como se fosse um filme…

Ao desencarnar, as experiências acumuladas na existência física são “gravadas” numa espécie de “átomo”, que preserva a memória física da pessoa que faleceu.

Desligando-se a alma do corpo físico, a pessoa passa a “viver” no astral.

Muito se especula e se discute sobre onde o mundo astral se localizaria.

De acordo com a Sabedoria das Idades, o Mundo Astral, muito mais do que um lugar, é um “Estado de Consciência”, assim como o nosso conhecido mundo físico tridimensional, apenas em um nível diferente de vibração.  

No astral, a alma passa por um período de ajustes, período este que varia muito conforme o seu grau de Consciência e do seu comprometimento com a evolução.

Esse período, portanto, pode ser curto ou longo, embora isto seja também relativo, já que a noção de “tempo” no astral é bastante diferente da nossa, na ‘realidade’ tridimensional física.

A “maya”, ou noção de realidade no físico e no astral diferem. O que para nós pode parecer um longo período, no astral a noção pode ser de um tempo ínfimo, ou vice-versa…

No astral, a “alma” passa então por um segundo processo de “morte”.

As experiências que correspondem ao astral são gravadas num átomo correspondente ao estado de consciência do corpo astral, que representa a parcela mais densa da alma.

Este é o fenômeno denominado de “segunda morte”, a “morte” do corpo astral.

Após a segunda morte, o corpo astral torna-se como um “saco vazio”, que também passará pelo processo de decomposição e desintegração. Esse “saco vazio” é denominado de “cascão astral” ou “kama rupa”.   

Com a “segunda morte”, o corpo mental se desprende e, com isso, sua existência passa a ocorrer no mais sutil das dimensões ditas, manifestadas, que é a própria dimensão mental.

Em processo análogo aos dos corpos físico e astral, o “corpo mental” também passa pelo processo de “morte”, a 3ª morte.

Nessa fase, processados os ajustes segundo a Lei do Karma, as experiências correspondentes ao mental são “armazenadas” no átomo permanente correspondente ao mental, passando o corpo mental também pelo processo de desintegração.

Os aludidos “átomos”, em número de 3, conhecidos como “átomos permanentes”, são absorvidos pelo “ESPÍRITO”, ou “EU SUPERIOR”, que é a Ideia, a Centelha Divina, Eterna, a “Chama que jamais se apaga”.

A “Chama Eterna” existe dentro de nós. Está dentro dos nossos corações, em um ponto luminoso minúsculo, logo abaixo do chakra Cardíaco, denominado de “ponto bindu”, junto ao 8º chakra, o chakra “oculto” Vibhuti.  

O Espírito, que também é denominado de Mônada,tem a representação simbólica de um triângulo equilátero, correspondendo cada ângulo a cada um dos 3 Estado de Consciência Superiores, o Mental Abstrato (5º), o Búdico ou Intuicional (6º) e o Átmico ou Crístico (7º).

Na esfera, portanto, do Espírito, as experiências armazenadas nas nossas sucessivas existências, através dos “átomos permanentes”, serão, por um lado, a “causa” da nossa próxima existência”, e por outro, também sua “conseqüência”, tudo dentro da Justa e Perfeita “Lei da Causa e Efeito”, a Lei do Karma.

A Lei do Karma, então, engendra uma nova experiência dentro da Roda de Samsara, criando novos veículos,uma nova alma e um novo corpo, trazendo uma nova oportunidade de aprendizados e resgates, dentro da maya da 3ª dimensão.

É-nos dada uma nova oportunidade de buscar o caminho que nos reconduza à nossa Consciência Superior, ao nosso Espírito. É a volta à “casa do Pai”. Tal caminho, que nos realinha à Lei Justa e Perfeita, é conhecido como Dharma, nas tradições orientais.

Pode-se estranhar o fato de que nascemos dotados de uma “nova alma”.  Como, então, atuaria a Lei do Karma nesta nova experiência, no que diz respeito às nossas “vidas passadas”?

De fato, nascemos com uma alma nova. Porém, dentro do “ponto bindu”, permanecem gravadas, através dos “átomos permanentes”, todo o histórico das nossas existências e dos “karmas” envolvidos, tanto negativos como positivos.

Estes “karmas” se manifestam na nossa nova existência como tendências das nossas personalidades, tanto positivas(chamadas skândas, como negativas (chamadas nidhânas).

Este, portanto, é o mecanismo básico e padrão dentro do processo que envolve a “morte”, a “vida após a morte” e a “reencarnação”.

É claro que existem exceções, que se consubstanciam em processos diferenciados dentro dos ciclos de mortes e renascimentos na Roda de Samsara.

Aliás, as exceções são inúmeras, já que a Evolução na Terra envolve não apenas a Hierarquia Humana, mas outras Hierarquias em Evolução, tanto menos como mais evoluídas que a Humana.

São processos cuja complexidade é proporcional à enigmática beleza que eles velam e resguardam…

Teremos a satisfação em falar sobre alguns desses processos em futuras oportunidades.

Para finalizar, uma coisa é certa, a despeito de se acreditar ou não, a morte não existe, a morte é a maior das mentiras…

“…Tudo o que nasce morre, e tudo o que morre renasce,… no sentido de matar, em nós mesmos, essa farsa macabra da morte, que não é senão o véu de Ísis a separar-nos das delícias da imortalidade… (Mário Roso de Luna, O Livro Que Mata a Morte). 

Justus et Perfectus.

PAX. Bijam!

João Paulo Miranda, Fevereiro de 2022.

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