Retorta Cósmica do Interregno Intercíclico – Por Vitor Manuel Adrião

08 Segunda-feira Nov 2021

Sintra, 1.º de Novembro de 2021

Outono, dia frio e chuvoso, o vento arrasta a folhas mortas das árvores que se despem, folhas secas indo em caudais de água lembrando aquelas da Árvore da Vida que se extinguem com o Ciclo que fenece. Prenúncio do Inverno, prenúncio de uma Era que morre para outra que renasce, sim, porque “na Natureza nada se perde, tudo se transforma”, já dizia Lavoisier. Mais que as desse sábio, valem as palavras preciosas do Mestre Kuthumi escritas em Outubro de 1882:

“A aproximação de cada nova “obscuração” (pralaya ou “repouso”, período de assimilação de quanto se conseguiu durante o manvantara ou período de actividade) é sempre assinalada (ou antecedida) por diversos cataclismos produzidos seja pelo fogo, seja pela água. Quando a sua Raça[-Mãe], a quinta, houver alcançado o zénite da sua intelectualidade física e desenvolvido a mais alta civilização (lembre-se da distinção que fazemos entre civilização material e civilização espiritual), ver-se-á incapaz de passar além do seu próprio ciclo (ou período de existência) e progredirá para o Mal absoluto (o final doloroso da depuração kármica) arrastada por uma dessas mudanças cataclísmicas. A sua grande civilização será destruída e ver-se-á todas as Sub-Raças desta Raça decaírem nos seus respectivos ciclos, após os seus curtos períodos de glória e de cultura. Nenhuma Raça-Mãe, com as suas Sub-Raças e Ramos, está autorizada pela soberana Lei Única a apossar-se dos privilégios da Raça ou Sub-Raça que lhe sucederá, menos ainda a usurpar os conhecimentos e os poderes reservados à sua sucessora.

“Entenda-se que a sua Ciência tem razão em muitas generalidades, mas as suas premissas são inexactas ou, em todo o caso, bastante erróneas. Por exemplo, ela tem razão quando diz que a nova América se formou no momento em que a velha Atlântida se afundava, sendo gradualmente engolida pelas águas; mas não é exacta nem nas suas indicações relativas às épocas dessa submersão, nem nos seus cálculos da duração desse submergimento. As suas Ilhas Britânicas terão um dia a mesma sorte. Elas estão à cabeça da lista de vítimas destinadas à destruição pelo fogo (vulcões submarinos) e pela água; à França e outros países sucederá o mesmo.

“Quando desaparecerem, a sétima e última Sub-Raça da sexta Raça-Raiz da presente Humanidade florescerá sobre a “Lemúria” (restos geológicos e psíquicos da 3.ª Raça-Raiz) e a “Atlântida” (restos geológicos e psíquicos da 4.ª Raça-Raiz). Haverão então poucos mares ou grandes oceanos como hoje existem sobre o nosso Globo; as águas, tal como as terras, aparecem e desaparecem, periódica e alternadamente, mudando de lugar. O grande acontecimento – a vitória dos nossos “Filhos das Brumas de Fogo”, os habitantes de Shamballah (então uma ilha no mar da Ásia Central), sobre os  magos egoístas, mas não inteiramente perversos, de Poseidónis – aconteceu exactamente há 11.446 anos.”

Desse texto do Mahatma retenho a referência às convulsões naturais (geológicas e climáticas) que acompanhando a crise psicomental humana antecedem o final de todo e qualquer período, seja um Ramo, uma Sub-Raça, uma Raça-Raiz, uma Ronda ou uma Cadeia. Tais comoções avisadamente registam-se hoje por todo o Globo, desde a actividade vulcânica aos terramotos e maremotos, ao degelo dos Pólos, ao efeito estufa da atmosfera estafando, impedindo o respirar normal da Terra, a sua oxigenação, etc. Sim, a Natureza avisa antecipadamente para a “debacle” do final de todo e qualquer ciclo, muito mais quando os elementos naturais sofrem o conspurco das suas vibrações (tatvas) provindas do Sol Central do nosso Mundo. Com isso, gera-se a reacção natural: ao conspurco do Elemento Terra (Tatva Pritivi) ele reage pelos terramotos e avalanches; ao conspurco do Elemento Água (Tatva Apas) dá-se a reacção pelos maremotos e inundações; ao do Elemento Fogo (Tatva Tejas) sucede o da eclosão dos vulcões e os grandes incêndios; e igualmente ao do Elemento Ar (Tatva Vayu) acontecem os ciclones e furacões destruidores. Ao par disso, acontecem as pandemias como a que agora aflige a Humanidade, tendo a sua causa no afluxo do Elemento Éter (Tatva Akasha) estar congestionado na sua acção normal e normalizadora da actividade tátvica, causada pela acção mortífera da poluição física e psicomental do próprio Homem tomado pela ganância perdulária de si mesmo e da Natureza, esta assim reagindo tal qual um corpo doente reage pela febre que é fogo purificador do organismo queimando nele os sintomas hostis, como agora acontece com o Logos Planetário reagindo à acção daninha das suas células humanas.

Tais sintomas vêm a ser os do Karma da Raça Humana hoje em plena queima na passagem de um ciclo para outro, com isso provocando alterações sensíveis na sua psique, fenómeno a que alguns chamam de mudança geracional de hábitos, interesses e valores, mas sendo mais que isso: trata-se da transformação geral da vida-energia em vida-consciência na presente Retorta Cósmica chamada Interregno Intercíclico.

Entre um ciclo que finda e outro que nasce decorre um período intermediário chamado Interregno Intercíclico, no qual as Mónadas recapitulam a evolução já conquistada e elaboram a porvir, sendo ao mesmo tempo o período de “separação do trigo do joio”, dos seres que evoluem daqueles que retrógrados estacionam na mesma evolução. Isso é pautado por crises e comoções planetárias e humanas em ebulição na metamorfose marcada pela despida do estado condicional passado para a vestida incondicional de um novo, o que acarreta sempre revoluções na consciência e nos actos ante a novidade que se depara. Trata-se do umbral entre o Passado e o Futuro na Hora Presente. É a depuração planetária acontecendo entre momentos cíclicos, um pretendendo conservar a Terra na condição psíquica de vida-energia passiva afim à passada Cadeia Lunar, e outro impulsionando-a para o futuro estado solar ou evoluído assinalado na Cadeia de Vénus em formação, liberalizada pela vida-consciência activa do Mental Superior.

Cada Raça-Mãe ou Raiz comporta sete subdivisões que são as Sub-Raças. Estas admitem, em última análise, oito Ramos Raciais, um para cada uma, onde esse oitavo vem a ser a soma e apuramento do respectivo Tipo Racial e quem estabelece a ligação à Sub-Raça seguinte, como agora acontece em pleno oitavo Ramo Racial Ariano, também chamado de Período Avatárico por corresponder aos 10.000 anos da Idade de Maitreya, portando em seu bojo as primícias das sexta e sétima Sub-Raças, que virão juntas tal qual o Espiritual não se manifesta sem o Intuicional, por este, o Búdhico, ser a veste do Átmico, assim mesmo já dando de si as sexta e sétima Raças-Mães e com elas lançando ao terreno do Presente-Futuro as sementes dos quinto e sexto Sistemas ou Rondas, forjas cósmicas das afins quinta e sexta Cadeias, que a sétima a todas sintetizará como “oitava” Coisa.

Conclui-se que uma Raça-Mãe com as suas sete Sub-Raças comporta cinquenta e seis Ramos Raciais. No presente momento da Evolução Planetária, tem-se: a quinta Sub-Raça Teutónica reproduzindo toda a quinta Raça-Mãe Ariana; a quinta Raça-Mãe Ariana criando a quinta Ronda de Vénus; a quinta Ronda de Vénus semeando e espelhando a quinta Cadeia de Vénus.

Com a Terra cada vez mais se subtilizando na sua fase ascensional – começada com a presente quinta Raça-Mãe – da Matéria ao Espírito, pode deferir-se que as actuais perturbações psicossomáticas e psicossociais, intensas e dramáticas, turbilhonando no seio do Género Humano só podem ser efeitos dos restos, espécie de cascões astrais, do Ciclo de Peixes apodrecido e gasto, finado em 24 de Julho de 1954, para o dealbar do Ciclo de Aquário nascido em 28 de Setembro de 2005, mas que levará o seu tempo a fixar o seu biorritmo nas consciências humanas. Atravessa-se hoje, no dizer do Professor Henrique José de Souza, o Interregno Intercíclico. Como os “cascões” encrostam-se magneticamente, por lei de afinidade, à aura psíquica do seu criador, no caso o Homem, tem-se nisso a razão da necessidade premente dos Seres Superiores de Justiça e Paz, enviados de Shamballah pelo Rei do Mundo, se acercarem na crosta terrestre para a purificarem e à sua ambiência astral, através dos verdadeiros discípulos da Espiritualidade, de todas e quaisquer impurezas físicas, psíquicas e mentais que possam afectar a futura exteriorização da Grande Fraternidade Branca com Maitreya à sua frente.

Esses Seres Superiores são os divinos Manasaputras, os “Filhos do Mental Cósmico”, que desde Shamballah dirigem as formas físicas dos santos Kshatriyas, os Guerreiros defensores da Lei Única, os quais trazem, tanto simbólica como realmente, numa mão a espada ígnea da Lei e na outra a palma perfumada da Vitória de Deus, sendo a sua missão sublime, consumada pelos melhores da Raça Humana, a da salvação de tudo e todos e “cerrar para todo o sempre as portas da morada do Mal”, como seja a anulação das Talas sinistras de que o Inferno dantesco é um pálido esboço.

Desde 21 de Março de 1956, data do Grande Julgamento Cíclico da Humanidade, em que esta foi medida, pesada e contada, que as Mónadas consideradas aptas a ingressar na Nova Era já estão definidas e separadas das não-aptas. Ainda assim, devo adiantar que só se salvam espiritualmente aquelas que passem nos exames ou crises iniciáticas de passagem de um estado de consciência para outro imediatamente superior, como esse que actualmente aflige a todos, indo distinguir as raças mais evoluídas das menos evoluídas. Crises traduzindo-se, como disse, pelo trânsito do pólo “abaixo” ao imediatamente “acima”, este definido no nível humano como estado Budhi-Taijasi, termo altamente místico significando “Intuicional Iluminado”, o que vale dizer ter-se por meta a superação do Intelecto pela Intuição, ou, como diriam os antigos Rosacruzes, “de Lúcifer a Cristo”, nisto sendo igual à afirmativa do Munindra ou Discípulo da Obra Divina, “de Luzbel a Akbel”.

Aqui chegado, convém fazer um curto reparo: apesar do Mestre Djwal Khul definir Ocultismo como a “Ciência das Energias” (Tatvas), na classificação mais simples e completa, é comum dar-se ênfase à noção de Universo energético e sensibilidade ao mesmo como indicativo de espiritualização. Se assim fosse, ter-se-ia a profissão de electricista como ciência de realização espiritual… Como tudo é energia liberta e condensada por acção dos Tatvas dinamizados por Fohat, a Electricidade Cósmica, o ser-se sensitivo à mesma nunca foi nem é indicativo de espiritualização, tão-só de refinamento sensorial às suas circunvalações atómicas cujas vibrações geram cores e formas mais ou menos excêntricas, e tal não implica consciência que esta só a dá o conhecimento exacto das Leis da Natureza visível e invisível. Nisto entra não o psiquismo lunar fantasioso mas o mentalismo solar imaginativo que a Sabedoria Divina, sob as modalidades Teurgia e Teosofia, oferece, com Capricórnio ou Cumara superando o seu oposto letal Caranguejo, Câncer ou Cama, tal qual se revela no Zodíaco, a “Roda dos Animais”.

Conforme a transcrição da carta do Mestre Kuthumi, todas as passagens de um Ramo Racial para outro, de uma Sub-Raça para outra, de uma Raça-Mãe para outra, provocam alterações nos regimes dos fenómenos naturais, como as estações, por exemplo, de que resultam revoluções climatéricas e geológicas com maior ou menor violência e impacto, de acordo com o porte do ciclo prestes a findar.

Assim, pode-se lembrar que a primeira região terrestre a ser habitada foi o Pólo Norte, numa época muitíssimo remota quando o eixo da Terra apresentava uma diferença de inclinação de quase 90 graus em relação à sua posição actual, estando os Pólos quase à altura da eclíptica, havendo um clima tropical. Desde então, as modificações por que passou a Terra e a inclinação do seu eixo tornaram-na muito diferente em todos os aspectos físicos, a começar pelo climático.

Cada Raça-Mãe tem por berço um continente próprio, isto sem se confundir o berço de uma raça com o seu país de origem. O país de origem é o lugar onde floresceu a raça anterior, enquanto o berço refere-se ao lugar onde se deu o seu nascimento. Por exemplo, a quarta Raça-Mãe Atlante desenvolveu-se e espalhou-se por diversas regiões do Globo, conjunto a que se deu o nome de continente atlante ou a Atlântida. Com o desaparecimento geológico de uma dessas regiões levantou-se o Altiplano do Pamir, na Ásia Central, como o país de origem, o embrião da quinta Raça-Mãe Ariana. Desta forma, um continente, no sentido teosófico, não é apenas uma grande porção de terra mais ou menos cercada de água, como descreve a Geologia e Geografia, mas também a região sólida da superfície terrestre onde se desenvolveu ou desenvolve uma raça.

Os continentes sucedem-se com a sucessão das raças, de tal modo que cada continente tem por origem um continente anterior, sofrendo, pois, o fenómeno do aparecimento e desaparecimento, causa dos grandes cataclismos já referidos. Ou seja, as leis universais são rigorosamente as mesmas para todos os graus de manifestação, seja a da Evolução Cósmica geral, seja a do Homem tratado em sua evolução individual, leis essas enfeixando-se numa única Grande Lei que preside a todo o Universo – Dharma. É fundamental, pois, não esquecer que cada Raça-Mãe transporta para a sua sucessora o produto da sua evolução, da mesma forma como os pais transmitem aos filhos não apenas as características físicas hereditárias mas igualmente as suas próprias experiências, significando também que tal como os progenitores uma raça ainda subsistirá quando a nova surge.

É assim que a herança psico-atlante mantém forte influência nos dias actuais, sobretudo na impuberdade psicomental das gerações jovens desta presente Raça Ária, tomando-se juventude não só na idade mas, sobretudo, na maturidade consciencial. Avançar para o domínio do mental ou paralisar no psiquismo, é questão de vida ou morte, de evolução ou involução, retrocesso infantilizando os sentidos por ausência e desinteresse de alimento verdadeiramente espiritual, onde a ideia verdadeira e duradoura possa absorver a imagem falsa e fugaz, incensada com os perfumes da ilusão seguida da inevitável… desilusão.

Observei isso de pertíssimo em várias partes do país e do mundo, e continuo observando, com a Sabedoria Divina sendo preterida pela paixão às coisas fantásticas, fantasiadas e fantasistas, abjurando a sua explicação lógica e racional para que não morra o sentido aflorado da “coisa maravilhada”, sinal óbvio de imaturidade consciencial. Quando algum ou alguns elementos da Sabedoria Divina são açambarcados por alguns mais inconformados desejosos de afirmação e domínio, vaidade indomada, é praticamente inevitável a deturpação dos mesmos para galvanização pessoal, quase por norma pervertendo-os com preceitos espiríticos ou psíquicos, quando não só automediúnicos ou medianímicos, de um simplicismo egolátrico tal que até parecem capazes de deitar por terra a doutrina espiritual mais sólida. Fora de tais crenças tudo o mais é-lhes indiferente, não entendem, não apreendem, não querem aprender, tudo lhes é confuso, complicado para o cérebro tenro, pelo que, por enquanto, só vale o simplicismo do materialismo psíquico, infinitamente mais perigoso e falaz que o propriamente dito materialismo físico, onde se acaba escoando no sensual e passional, na aflição frenética dos sentidos ansiando alguma coisa mais sem saber o que. Realmente, a influência falaciosa da Lua, do reino sinistro de Hécate, domina a fantasia mórbida da maioria humana.

Nisto não deixo de reproduzir as palavras ajuizadas do finado Alberto Vieira da Silva, membro da ex-Sociedade Teosófica Brasileira, em entrevista ao matutino lisboeta Correio da Manhã, de 22.3.1996, as quais continuam actualizadíssimas:

“Aquilo a que se chama em Esoterismo o “lado negro” ou a “fraternidade negra”, sempre tenta imitar ou seguir as pisadas da luz, entenda-se da “luz branca” ou sem cor e sem divisões, por isso mesmo relacionada com o futuro, o vir-a-ser, etc. A Serra de Sintra é aquilo que o grande cientista, teósofo e maçom Mário Roso de Luna chamava um “Ponto Jina”. É, inclusive, um ponto importante à escala mundial, mas sob o aspecto material é apenas um ponto de referência de algo mais importante e vasto que se oculta, digamos assim, sob essa capa.

“O nosso Colégio Iniciático tem o dever de desmistificar orientações que promovam o culto à matéria, sejam elas à pedra, ao sítio, ao local ou ao promontório, etc., orientações essas que são próprias de raças humanas muito antigas e dos seus sistemas de iniciação, hoje já ultrapassados e até impeditivos de alcançar estados de consciência mais elevados.

“Não me surpreende o facto da Serra de Sintra ser cenário de cultos considerados de magia negra, porque os adeptos da linha “negra” ou do “mal” procuram sempre os ambientes sagrados para vampirizá-los, roubar-lhes as formas e, assim, com a mentira ou imitação ilícita aparecer como verdade. A luta entre o bem e o mal é um jogo quase eterno, e nele o mal sempre ofende e o bem defende… O mal tentar “macaquear” o Divino, o Homem Primordial, corre atrás dele, persegue-o, morde-o e, por vezes, quando pode, sacrifica-o e elimina-o fisicamente, a Ele ou aos seus Filhos, já que não pode ter a subtil e divina Essência que os anima…

“Lembro que todo o Mundo manifestado está sujeito à Lei da Polaridade, não surpreendendo, portanto, terem sido as montanhas referências para todos os povos, quer para o Sagrado, quer para o inverso do Sagrado, assim como o foram as cavernas ou criptas, abundantes na Serra de Sintra.

“Repare-se que as montanhas são visíveis, apontam para o céu, enquanto as grutas ou criptas, invisíveis, ocultas, apontam para o centro da Terra, para o Sol Interior. Daí as confusões operadas nas mentes infantis, durante milénios, sobre a dicotomia céu e inferno. Então, sempre que a magia negra, egoísta, cruel e mesquinha, conquista uma montanha, os Adeptos da Boa Lei interiorizam-se, voltam à Cripta ou à Gruta Primordial, para se defenderem. O simbolismo maçónico e hermético, assim como o de todas as Ordens Iniciáticas Tradicionais que não se desviaram do Recto Caminho, estão repletos dessa mensagem de interiorização, de defesa intransigente do Sagrado.”

Ainda acerca da impuberdade consciencial que infantiliza corpos adultos e perde almas em aventureirismos psicofísicos de cultos a egrégoras, “almas artificiais criadas por pensamento colectivo”, e personagens há muito desaparecidos, até parecendo que o animalismo vegetalista prevalece sobre o humanismo espiritualizado, recordo as leituras simples que fiz do Bhagavad-Gïta, traduzido por Francisco Valdomiro Lorenz, e de Aos pés do Mestre, de Jiddu Krishnamurti, junto de adeptos do mediunismo psíquico, e o ar de enfado e desinteresse que demonstravam, só se animando frenéticos quando algum «espírito» se manifestava e os fenómenos psicofísicos aconteciam, muitos deles simples farsas de quem pretendia ser mais do que realmente era, nisso dando razão ao próprio Allan Kardec: “Em cem manifestações mediúnicas, às vezes uma é verdadeira”. O desinteresse e a incompreensão até do mais simples e básico de Sabedoria Divina era tão grande e dominante, com tudo restrito ao “culto das energias, dos «espíritos» ou forças primárias da Natureza, e das curas mediúnicas, antes, mesméricas ou biomagnéticas”, que acabei vendo os documentos do Regulamento de futura Loja Teúrgica a servirem de forro a uma gaiola de periquitos. A inconsciência e o desinteresse por temas e práticas além daqueles simples comuns dominam até hoje, mas deve se aceitar com tolerância e compreensão que assim seja por ser fenómeno muito natural: trata-se do paulatino despertar da consciência.

Neste caldeirão racial, nesta retorta cósmica do Interregno Intercíclico Peixes-Aquário as apetências, competências e capacidades humanas apresentam-se misturadas e confusas em autossuficiências pueris em todos os sectores da actividade humana, motivo de controvérsias, contrariedades e fracassos aumentando o desespero colectivo de dirigentes e dirigidos com um único ponteiro sinalizador: o egocentrismo egoísta, onde a oportunidade faz o oportunista. Mas isso é natural neste estado caótico psicossocial, como indispensável à separação da verdade da mentira, da justiça da injustiça, indo-se tomar consciência pela experiência dolorosa que todas as soluções baseadas nos efeitos dos efeitos estão condenadas ao fracasso logo à partida, por os efeitos só poderem ser explicados e corrigidos tomando noção das causas, sejam visíveis ou invisíveis. A verdadeira revolução não é a bélica, é a interior de tomada da consciência de que o homem singular só será plenamente feliz quando o seu semelhante no colectivo também o for, no mais amplexo sentido fraterno de concórdia universal.

Antanho, a sociedade humana estava organizada com ordem e regra baseada nas quatro classes de Clero – Nobreza – Burguesia – Povo, com os seus componentes dotados das competências naturais afins ao exercício dos respectivos cargos, organização nascida das quatro castas (varnas) hindus de Brahmane – Kshatriya – Vaishya – Shudra, correspondendo ao Sacerdócio, ao Militar, ao Comerciante e ao Trabalhador. Antes das quatro castas tombarem nas endogamias e autogamias cerradas em cada uma delas, discrepância geradora de esterilidade, doenças raras e ensandecimento tanto no núcleo autofágico familiar como no conjunto social, autossegregado em classes apartadas umas das outras provocando injustiça e miséria para infelicidade geral, o sentido original das varnas era bem diferente. Segundo os Kula-Puranas e os Sthala-Puranas, que tratam respectivamente da origem das castas e do seu sentido sagrado, elas têm origem em Brahma, o Soberano Divino, e constituem o Seu corpo físico.

Perpassando as alegorias (“a letra que mata”) contidas nessas escrituras sagradas do Oriente, tem-se que no final da terceira Cadeia Lunar o Logos Planetário em Sua Primeira Hipóstase, Brahma, correspondendo ao Pai, promoveu a transferência da Vaga de Vida Animal à Humana desta quarta Cadeia Terrestre em quatro etapas sucessivas, vindo primeiro as Mónadas mais amadurecidas, conduzidas pelos Assuras, as quais viriam a ser a casta Brahmane; seguiu-se a casta Kshatriya, guiada pelos Agnisvattas; logo depois a casta Vaishya, dirigida pelos Barishads; finalmente a casta Shudra, encaminhada por essas três Hierarquias Criadoras que lhe deram a Mente, a Emoção e a Vida, tomando forma no esteiro da Manifestação de onde se destacaria uma quinta classe, a dos Ativarnas ou “acima das castas”, hoje constituindo os Adeptos Independentes guias da Humanidade. São eles quem promovem a Fraternidade Universal, pois sem Unidade colectiva jamais poderá haver integração do Uno ou Todo no Tudo ou Múltiplo, nisto incluindo uma sexta classe, “abaixo dos pés de Brahma”, a dos “intocáveis” ou “excluídos” (do sistema de castas), como seja a dos Dalits ou Párias, os mais atrasados da evolução na Cadeia Lunar que só tomariam posse da consciência humana nesta quarta Ronda Terrestre. Mesmo atendo-se ao sentido original de Selecção e Hierarquia, os Ativarnas não excluem nada nem ninguém da oportunidade de evolução e felicidade individual e colectiva. Até hoje, nem um só deles agiu de maneira contrária ao apresentar-se no seio do Género Humano. Com eles a Concórdia Universal nunca foi palavra vã, com eles tem-se a Sinarquia em movimento. Tudo a despeito, no respeito que a Lei do Livre-Arbítrio exige, da vibração dos Seres Divinos ser bem uma e a reacção a ela pelo comum humano poder ser bem outra, por norma funesta e fatal. Mas a Lei é uma só e a sua Ordem também: que todos se salvem, equilibrando a mente com o coração para que na Terra o Homem alcance as maiores venturas do Céu.

Como os valores, apetências e competências originais das castas hoje estão misturados gerando as maiores confusões manifestadas como incompetências em todos os sectores sociais (religiosos, políticos, económicos, profissionais, etc.), também isso não deixa de estar em conformidade à caldeação racial onde tudo se mistura para da mesma poder sobressair o apuramento das consciências. A dor, o sofrimento da separação do espesso em subtil, da transformação das personalidades materiais em individualidades espirituais, é tanto maior quanto o Karma Colectivo accionado pelos elementos, muito mais nesta Raça-Mãe Ariana cujos cometimentos de lesa-Divindade têm se aglomerado desde o início da Kali-Yuga, “Idade do Ferro”, com a morte de Ieseus Krishna, até ao sacrifício de Jesus Cristo e de tantos outros Grandes Iluminados que a este mundo já vieram. Em 1898-99, com o término dos primeiros 5.000 dos 432.000 anos da Kali-Yuga, começou o dealbar de uma pequena Satya-Yuga, “Idade do Ouro”, dentro da mesma, correspondendo ao início da Idade de Maitreya para cujo pleno florescimento a Lei exige que o Karma Planetário seja de todo queimado, apagado, como agora acontece na Recta-Acção da mesma Lei Única que a tudo e a todos rege.

Em conformidade com tudo o dito, antevendo os dias actuais em 25 de Abril de 1889, Helena Petrovna Blavatsky, em reunião na Loja Teosófica “Blavatsky” em Londres, foi incisiva nas suas respostas aos que a perquiriram sobre o assunto:

“Sr. –: – Será que ainda não chegou o pior momento da vida da Humanidade?

Sr.ª Blavatsky: – Fisicamente, não sei. Digo que ainda teremos dias piores que os que temos tido, porque temos pecado muito.

Sr. –: – Então ainda não alcançámos o ponto mais baixo?

Sr.ª Blavatsky: – Ainda não alcançámos o ponto mais baixo.

Sr. Ingram: – Mas não há, ao mesmo tempo, uma maior aceitação e obediência da Lei em contrário à desobediência? Não há a maior parte da Humanidade que obedece à Lei, cujo karma acumulado neutraliza o karma dos restantes?

Sr.ª Blavatsky: – Eu não sei. Não creio. Nada pode neutralizar o mau karma dos indivíduos. Colectivamente pode haver algum equilíbrio, mas temo que seja tudo do lado errado. A maldade predomina em tudo. Não é bom. Vão onde quiserem e não encontrarão nada que não seja feito ou não se faça por motivos egoístas só para benefício de um mesmo, nação ou indivíduo, tornando os outros perdedores. É terrível quando se vê o estado actual dos negócios, da vida e da civilização. Esta civilização é o cancro da Humanidade, será a ruína da Humanidade pela maneira como é conduzida. Eu não digo como deve ser a civilização. É o maior desenvolvimento do egoísmo que já se conheceu. Posso assegurar-vos que a quinta Raça se irá com um grande ruído de trombetas, que não serão mais que as trombetas do grito de guerra.

Sr. Ingram: – O egoísmo é maior agora do que foi na quarta Raça?

Sr.ª Blavatsky: – Mil vezes pior, porque agora estão decaindo em espírito ao agarrarem-se desesperadamente à matéria. É por isto.”

Como o psiquismo na sua forma simplicista e letal à evolução avante predomina na Raça actual, cuja finalidade é a do desenvolvimento do 5.º Princípio Mental Superior, invés desse já realizado 4.º Princípio Psicomental, característico da “Mente Emocional”, no Período Atlante, e que foi o estado natural da Humanidade da 3.ª Cadeia Lunar, o mesmo acaba sendo o aguilhão fatal à consumação do Karma Ariano, sobretudo através dos cultos rendidos às egrégoras, essas “almas artificiais colectivas” passadas, querendo insuflar-lhes a vida desde há evos finada, indo assim criar títeres sinistros, pouco importando se apenas motivados por modismos lúdicos ocasionais, sobre o que H. P. Blavatsky acrescentou ainda de viva voz, no mesmo ano de 1889, com palavras preciosas ao entendimento da mecânica oculta das seitas aparentemente religiosas d´hoje, marcadas pela ausência do senso necessário de selecção e hierarquia, aquela para a regra e esta para a ordem, vitais à subsistência e sobrevivência verdadeiramente espiritual de toda a Ordem e de toda a Religião:

“Sr.ª Blavatsky: – Agora ouçam até ao final. Outra ilustração. Como há vinte anos atrás a Ciência poderia ter explicado o contágio das doenças? Agora descobriu as bactérias e os bacilos, uma das formas mais atenuadas de matéria, mas ainda assim atómicas. Talvez daqui a vinte anos descubram o contágio das paixões mentais. Algumas pessoas chamam-lhe magnetismo, um poder mesmérico. Falando de um conferencista, diz-se que ele electrificou o seu auditório, e nós dizemos que essa electrificação é puramente atómica. O clarividente, cujos sentidos estão despertos perante as condições fisiológicas e psíquicas da sua época, perceberá as pontas dos átomos procedentes do conferencista para o auditório, que estarão coloridas com diversas tonalidades de acordo com a sua condição interior, assumindo diferentes tons à medida que se põe em contacto com os diferentes indivíduos do auditório, em conformidade às suas condições interiores e temperamentos. Conseguem ver isto? Vejam um orador pregando muito intensamente sobre algo, e com isso electrificando o seu auditório. Dizem que Spurgeon produz um efeito extraordinário nos seus ouvintes. Agora tomem o Exército de Salvação. Como se pode supor que quando centenas de milhares dançam e emanam toda a espécie de emoções e tudo o mais, isso não seja atómico? Enlouquece as pessoas, é infecioso, manipula-as psicologicamente, faz com que percam o poder sobre si mesmas obrigando-as a pensar como o General Booth, uma vez que ficam sob a sua influência. E elas darão dinheiro e acreditarão em Jesus e no que ele quiser. Se o General Booth pregasse sobre Jesus H. P. Blavatsky, todos acreditariam em mim, todos seriam uns blavatskyanos. Posso assegurar-vos que ele tem poder simplesmente por esse ser poder magnético. Oxalá eu fosse sua amiga, seria uma boa ideia que ele pregasse sobre mim, pois assim todos iriam a acreditar em mim.

Sr. Kingsland: – Alguém teria de se oferecer como voluntário para se converter ao General Booth.

(William Booth (1829-1912), pregador metodista inglês que fundou o Exército de Salvação em 1865, tornando-se o primeiro “General”)

Sr. –: – Então, você sustenta que essa energia atómica que emana do pregador tem o mesmo poder sobre todas as pessoas a quem prega.

Sr.ª Blavatsky: – Oh não, há uma grande diferença, porque alguns não seriam afectados de nenhuma maneira. Alguns de nós iriam rir-se. Não nos poderia afectar por não termos temperamento igual aos dos outros para sermos afectados pela pregação. Aqueles a quem afecta de maneira extraordinária são pessoas especialmente sensitivas.

Sr. Kingsland: – E logo, por sua vez, afectarão psicologicamente aos demais.

Sr.ª Blavatsky: – Há um enorme psiquismo por toda a parte.”

Na pandemia do pandemónio dos sentidos que varre a face do Globo actual, mais do que nunca têm-se concretizadas as palavras proféticas do Rei do Mundo proferidas no Mosteiro de Narabanchi-Kure, Mongólia Exterior, em 1890, que o Professor Henrique José de Souza traduziu do livro Animais, Homens e Deuses, de Ferdinand Ossendowsky, transcrevendo-as no seu magnífico artigo, Profecias que atestam a queda do Ciclo, publicado na revista O Luzeiro, ano I, n.º 6, Novembro de 1952:

“Cada vez mais os homens esquecerão as suas almas, preferindo ocupar-se dos seus corpos. A maior corrupção reinará sobre a Terra. Os homens tornar-se-ão idênticos aos animais ferozes, embebidos no sangue de seus irmãos (que o digam as duas guerras mundiais, as revoluções e todo o lastro destruidor do ciclo de Marte, ou seja, de 1909 a 1944). O “Crescente” se aniquilará e os seus adeptos sairão em miséria e guerra perpétua. Os seus conquistadores serão iluminados pelo Sol, mas não se elevarão duas vezes; acontecerá a maior das desgraças, que culminará em injúrias diante dos outros povos. As coroas dos reis, grandes e pequenos, cairão: uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito (não foi o que assistimos nas duas últimas guerras?)… Haverá uma guerra terrível entre todas as nações (além dessas a última, ou a que ameaça destruir o mundo através de bombas atómicas e outros engenhos de morte?). Os oceanos se tingirão com o sangue de irmãos contra irmãos (por serem filhos de um Pai Comum: Deus). A terra e o fundo dos mares ficarão cobertos de ossadas… Povos inteiros morrerão de fome, ou por moléstias desconhecidas, ou pela prática de crimes não previstos nos códigos com que se regem os homens, e isto por nunca terem sido vistos iguais na Terra… As maiores e as mais belas cidades serão destruídas pelo fogo (ruínas, sempre ruínas!). O pai se revoltará contra o filho, o irmão contra o irmão, a mãe contra a filha (os jornais estão repletos de crimes dessa natureza, o que evita maiores comentários). O vício, o crime, a destruição do corpo e da alma continuarão a sua rota fatal… As famílias serão divididas… O amor e a fidelidade desaparecerão, porque a prostituição reinará até nos lugares mais sagrados (estamos na época das “sereias”, das “rainhas desnudas”, para gáudio da imprensa livre, sem falar nas “mi-carêmes” e outros métodos de “alegrar e satisfazer o povo”)… Em dez mil homens um só viverá, mesmo assim louco e sem forças, não encontrando habitação nem alimento. Toda a Terra ficará deserta (e “viúva dos deuses”, como disse Hermes na decadência do Egipto…). Deus lhe voltará as costas. Sobre ela cairá o espesso véu da noite e da morte… Então, enviarei um Povo, agora desconhecido, que com mão firme arrancará as más ervas da loucura e do vício (este sim, será o Governo Único aclamado pelo «descobridor» da Teoria da Relatividade, Einstein, e nenhum outro, pois que agora ele teria que andar, como Diógenes, com uma lanterna mais forte para encontrar… o “procurado”). E conduzirá aqueles que ficarem fiéis ao Espírito de Verdade na batalha contra o mal. Eles fundarão uma nova vida na Terra, purificada pela morte das nações…”

Palavras fatais, julgadoras, essas encontrando eco naquelas outras anteriores, que o Professor Henrique José de Souza igualmente transcreveu no seu artigo citado, inscritas no capítulo IV do Vishnu-Purana:

“Nos dias em que os mlechchas (europeus, estrangeiros) forem senhores das margens do Indo, Cachemira e Chandrabagha, aparecerão monarcas de mau espírito, génio violento, mentirosos e perversos. Eles darão morte às mulheres, às crianças e aos próprios animais (a última guerra responde por si mesma…). No entanto, o seu poder será limitado (como foi e será sempre o de todos quantos estejam fora da verdadeira Lei, que a tudo e a todos rege). As suas vidas serão curtas, embora os seus desejos insaciáveis (ainda continuarão outros com ambições análogas… mas o fim será idêntico ao dos anteriores). Gentes de vários países, com eles se misturando, seguirão o seu exemplo (as camisas das várias cores que se estenderam na “corda bamba” da política internacional, sob a tutela do nazi-fascismo…). Os puros serão desprezados (e até desmoralizados pela imprensa). E, com isto, o povo perecerá, porque os mlechchas ou bárbaros estarão nos extremos (o nome o diz: extremismo), enquanto os verdadeiros ários estarão no centro (ária ou ariana, se o quiserem, não foi jamais a decadente Alemanha de hoje, mas a sub-raça germânica, que de há muito desapareceu fundida em outros povos. Estamos na arregimentação das sementes das sexta e sétima sub-raças dessa mesma Raça-Mãe, respectivamente, na América do Norte e do Sul. A Índia foi a verdadeira mãe da Raça Ária, donde ter sido chamada, naquele tempo, de Ariavartha… Hitler e outros muitos eram e são ignorantes demais para conhecer tais coisas). A riqueza e a piedade diminuirão cada vez mais, até o mundo entrar em completa degradação… Então somente a fortuna dará valor aos homens, ela será a única fonte de devoção (motivo pelo qual a maioria só procura as sociedades pseudo-ocultistas que prometem aquilo que não podem dar, isto é, riqueza, paz, felicidade). A paixão animal será o único laço de união entre os sexos (o desquite e o divórcio, para quem tem carácter, é remédio, enquanto para quem não o tem, é veneno mortal, é tragédia, é aniquilamento). A falsidade, o único meio de vencer as contendas; as mulheres, meros objectos de satisfação sexual. A exterioridade, o único sinal de distinção entre as camadas. A falta de honradez, o meio mais prático de se ganhar a vida (com vistas ao “câmbio negro”, aos chamados “tubarões”, e outras coisas que não merecem ser apontadas…). A debilidade trará consigo a dependência; a ameaça e a ostentação suplantarão a verdadeira Sabedoria. A mais desenfreada liberdade (libertinismo…) não permitirá outras aspirações mais dignas. A riqueza dará ao homem a reputação de puro e honesto (“tanto tens, quanto vales”, é velho provérbio para os loucos de espírito). O matrimónio não passará de simples negócio… A razão estará sempre do lado mais forte (do que muito se aproveitou Hitler…). E o povo, esmagado pelo peso da enorme carga, começará a emigrar de lado para lado (a começar pela raça judaica… sem falar nos foragidos de toda a parte, inclusive religiosos…). E assim, na Idade Negra (aquela que estamos atravessando), a decadência moral continuará a sua marcha, até que a Raça Humana se aproxime da sua extinção (isto é, do fim de um Ciclo, de acordo, também, com o Destruere et Construere de Bacon, e o Corsi e Ricorsi de Vico).

“Quando o fim de tal Idade estiver próximo, descerá sobre a Terra uma parte daquele Ser Divino (o Espírito de Verdade, Planetário da Ronda ou Dirigente Espiritual do Globo, a que também se refere a profecia anterior do Rei do Mundo), que existe em sua própria natureza espiritual, dotado das oito faculdades supremas (os “oito poderes da Yoga”, etc.). Ele restabelecerá a Justiça na Terra, e as mentes dos que viveram até ao fim serão tão puras como o cristal. Os homens, assim transformados, serão como sementes de uma nova Raça (note-se o lema da Sociedade Teosófica Brasileira: Spes Messis In Semine, ou “a Esperança da Colheita está na Semente”), que seguirá as leis da Idade de Ouro ou da Pureza, para transformar o mundo. Dois elevados Seres, dois Deva-Pis (o mesmo que dizer, “Gémeos Espirituais”), volverão à Terra para felicidade dos homens.”

Esses dois elevados Seres são provindos de Shamballah, segundo o mesmo texto sagrado, enquanto o Espírito de Verdade, referido em ambas as profecias, é o mesmo que no Bhagavad-Gïta, ou “Canto do Bem-Aventurado”, pela boca de Krishna diz ao seu discípulo Arjuna (IV, 7-8): “Todas as vezes – ó filho de Bharata! – que Dharma (a Lei Justa) declina e Adharma (o contrário, que é o estado em que se acha o mundo) se levanta, Eu me manifesto para salvação dos bons e destruição dos maus. Para restabelecimento da Lei, Eu nasço em cada Yuga (Idade, Ciclo, etc.)”.

Isso remete para o sentido de Advento afim à Parúsia ou manifestação universal da Divindade numa nova fase da Evolução Humana, tema do Messias ou Avatara que tanto pode ser um Ser Divino como um Movimento Eleito, ou ambos: o Ser Divino encabeçando o Movimento Eleito. Nisto, o Cristo ou Maitreya à dianteira da Grande Fraternidade Branca.

Sendo Maitreya o Senhor das “Três Vestes” (Trikaya) que se repartem interligadas pelos Mundos Espiritual, Psicomental e Físico, originados de uma “Coisa Única” que é a Essência Absoluta do Pai Eterno em quem o Filho é, então será verdade a maravilhosa expressão do Amor-Sabedoria Universal, o Divino Maitreya, Filho da Terra ou Eva (Heve) mas de há muito tempo tendo superado a esta, que:

Em Shamballah (Espiritual) – utiliza a Veste Espiritual (o Absoluto no Terceiro Trono);

Em Agharta (Mental) – utiliza a Veste Mental (o Primeiro Trono no Terceiro Trono);

Em Duat (Astral) – utiliza a Veste Emocional (o Segundo Trono no Terceiro Trono);

Em Badagas (Etérico) – utiliza a Veste Vital (o Terceiro Trono no Terceiro Trono);

Na Face da Terra (Físico) – utiliza a Veste Física (o Terceiro Trono no Absoluto).

Por esse motivo, a Essência permanece a mesma, desde Shamballah à Face da Terra. Sim, porque o que diverge são as frequências vibratórias das Vestes, mas não a imutabilidade da prima Essência que as anima.

Essa Essência Única lampejando como Chama Crística no imo de cada ser vivente (e quando, no mínimo, três quartos da Humanidade apelarem ao Cristo Universal não por ansiedade aflitiva mas por necessidade cooperativa, não duvido que então Ele advenha finalmente sobre a Terra, por haverem condições propícias físico-espirituais e os homens O reconhecerem de imediato por O terem despertado primeiro em seu peito).

Maitreya (मैत्रेय) é nome tipicamente sânscrito inscrito nos Vedas e nos Puranas, sobretudo no Vishnu-Purana, que são literatura religiosa do Hinduísmo, alguma com cerca de 8.000 anos, e o qual nome Helena P. Blavatsky divulgou ao Ocidente em A Doutrina Secreta, tendo depois Charles W. Leadbeater e Alice A. Bailey o popularizado nos meios teosofistas, mas que Henrique José de Souza enquadrou com a maior justeza ressalvando sempre tratar-se do Cristo Universal, o Emmanuel assim reconhecido no Ocidente, tanto na Igreja como na Maçonaria. Não se trata, pois, de um cidadão vulgar nem de um «vulgar» Espírito Superior, mas da própria expressão Amor-Sabedoria da “Divindade em quem tudo e todos somos”, parafraseando Santo Agostinho.

Bem sei que muita gente crédula e impúbere aguardou o Seu Advento na data cíclica de 28 de Setembro de 2005, acreditando Ele advir só para ela, no esquecimento ou na ignorância de que Maitreya é o Supremo Instrutor do Mundo, de homens e de anjos, é o Salvador das Vidas de todos e não de só uns quantos auto-privilegiados, mitomania apocalíptica afim a identidades nacionalistas jovens. E a advir acredito que não será por Portugal, nem pelo Brasil e nem por qualquer outro país, porque tal daria conotação nacional, limitada, ao que é universal, ilimitado. Creio que advirá pelo Monte Meru, isto é, pelo Pólo Norte, ponto de entrada do Tubo Cósmico (Tubu-Shin) na Terra repleto de Fohat, a Electricidade Cósmica. Por tudo isso, quando perguntavam ao Professor Henrique José de Souza “como iria Maitreya actuar na Sociedade Teosófica Brasileira?”, ele respondia invariavelmente o mesmo: “Mas Maitreya irá querer saber da S.T.B. para alguma coisa?”. Sim, porque acredito Ele advir para toda a Humanidade, incluindo os Reinos Sub-humanos, e que quando advir tudo quanto é vida, energia e consciência se alterará positivamente na Face da Terra. Se foi assim com Krishna, Budha, Cristo e outros mais Avataras do Passado, por que não haverá de o ser com Aquele do Futuro?

Por enquanto, infelizmente, mas sendo necessária a depuração cíclica ou “separação do trigo do joio”, as Mónadas aptas das não-aptas ou capacitadas a integrar um novo estado de vida e consciência, a época actual é idêntica àquela que fez dizer a São João, o Apóstolo de Patmos: “A grande Babilónia tornou-se a morada dos demónios e repasto de todo o animal que nos causa asco. E isto porque todas as nações beberam do vinho da sua impudicícia, e os reis da Terra se prostituíram com ela.” – Apocalipse, 18:1-3.

“De ti, Jerusalém, não restará pedra sobre pedra”, afirmou Jesus, o Cristo, referindo-se ao término do ciclo do Templo de Salomão (Lucas, 21:6), e que num sentido mais amplo ajusta-se à situação actual da sociedade humana em franca debacle psicossocial, para o alvorecer de um novo ciclo portador de melhores dias para o mundo.

É o mesmo Espírito de Verdade (Deva-Vani) da Profecia do Rei do Mundo, quem depois profere pela boca perfumada do Professor Henrique José de Souza:

“Cada um constrói o seu mundo para que o Meu permaneça ignorado. Àqueles que continuam querendo «milagres» – em verdade, “fenómenos naturais, por serem levados a efeito dentro das Leis da Natureza” – devo lembrar os realizados pelo Cristo, por outros Avataras Iluminados. De que serviram eles para os seres da Terra se continuam hoje, talvez, piores do que eram nas respectivas épocas das manifestações daqueles referidos Seres? Por isso mesmo, o Cristo fez ver que “muitos serão os chamados e poucos os escolhidos”. Sim, a Elite ou os Eleitos como qualidade, em vez da quantidade. Esta sempre foi a parte grosseira de todos os sectores da vida humana. Cada qual que pense a respeito, porque na própria Política tal verdade se revela por ser uma das principais razões das más administrações dos povos. A própria Evolução Humana é feita dessa maneira. A prova é que aqueles que se distanciam dos demais são dignos de ser seus Guias e Instrutores. São os que se tendo encontrado em si mesmos, e não fora, não pagam tributo a ninguém tendo alcançado a sua própria Superação. Todos eles se fizeram iguais a Mim, porque eu sou o Grande Todo, a Divina Essência que vibra no coração de todos os Seres que alcançaram semelhante etapa. Mas ainda há muita gente a salvar. Muitas criaturas onde a Centelha Divina aguarda apenas o sopro ou hálito de uma Boca fraterna, amiga e carinhosa, para que a mesma se transforme em enormíssima Fogueira… pouco importando a sua convicção filosófica ou religiosa.”

A Hierarquia Humana ainda é muito jovem, só ficou definitivamente formada em 4 de Outubro de 1937 com a Redenção do Karma Atlante por quem de direito, o Deus Akbel. Por esta razão, a mente humana ainda está em formação para o emocional já formado, com isso esse dominando aquela na grande maioria dos seres humanos, como se observa na sua busca de soluções definitivas apostando na novidade de homens que, afinal, são tão humanamente imperfeitos como eles, isto em todo e qualquer sector da actividade humana (política, religiosa, filosófica, científica, etc.), indo o colectivo mais um vez se desiludir e prosseguir o perpétuo arrastar das suas penas, qual alma penada errando de um lado para outro, na busca interminável da solução para o magno problema humano, afinal, o da sua felicidade. Acaso ou decerto a Felicidade Humana, permanente e estável, estará na realização da Sinarquia à escala global.

O esquema acima vem a ser o da estrutura sinárquica, isto é, “com ordem, harmonia e medida”, cujo modelo anárquico dominante, distópico em oposição aberta e hostil ao utópico, leva o desespero colectivo, despossuído de soluções estáveis e duradouras psicossociais, a cada vez mais se acercar do ideal de Sinarquia no anseio de uma sociedade humana justa e perfeita.

Se a Concórdia Universal é uma realidade permanente desde há milénios no Mundo de Agharta, cujos moldes sociopolíticos alicerçam-se nos três pilares mores do Legislativo, Executivo e Judiciário sob a Coordenação de um quarto poder garante da harmonia estabelecida em simbiose com as Leis da Natureza, o que se poderá interpretar como Sinarquia ou as mesma Leis aplicadas com êxito ao tecido social, na Face da Terra, pelo contrário, ainda campeia a desarmonia, o contraste da divisão humana vazada ou resultando na anarquia, com os povos buscando o remédio eficaz para a felicidade psicossocial nos efeitos em detrimento das causas. Perseguem líderes falaciosos como quem procura um messias salvador, erguem-se muralhas de discórdia nas partes envolvidas, e o resultado fatal será sempre a infelicidade humana manifestada como doença, fome, guerra e morte (4 Cavaleiros do Apocalipse). Realmente, à Anarquia da Kali-Yuga da Face da Terra contrapõe-se a Satya-Yuga do Mundo de Agharta. Mas também isso não deixa de estar em conformidade à queima do Karma da Raça Humana.

Falo de Sinarquia definindo-a como fundamentada em princípios universais em que se inscreve o Homem, considerado não neste ou naquele aspecto particular, não nesta ou naquela dimensão parcial, como a dimensão socioeconómica, por exemplo, mas na sua totalidade, como um ser integral, expressão e síntese da Lei Orgânica da Vida numa colectividade ou sociedade justa e perfeita, harmonizada ou conformada a essa mesma Lei Universal.

É nisso, pois, que o ideal da Utopia se concretiza, o de uma República governada por Filósofos. Convém entender o termo filósofo no seu sentido original, não como “amigo do saber”, dos vários saberes, mas como Filho da Sabedoria, numa palavra, do Conhecimento Supremo, dirigindo, conformado aos ritmos das leis da Natureza, o Homem individual como microcosmos da Sociedade grupal, o seu macrocosmos, o que se revela no trinómio Homem – Sociedade – Natureza.

Esses princípios estão interligados por existir uma inter-relação permanente entre eles, porque onde um aspecto predomina os outros também existem como subsidiários, indo demonstrar que um povo, sendo uma colectividade, é um ser vivo colectivo, dotado de auto-consciência, cuja acção política do governo sobre ele não pode permanecer abstracta sem o perigo de dissolução. Na medida em que os sistemas político-sociais não souberam, até hoje, firmar-se numa filosofia científica conformada às estruturas biológicas das sinergias grupais, mas tão-só em concepções arbitrárias, fragmentadas e fragmentárias, afirmam-se, por consequência, como sistemas políticos de constituição anárquica, onde a injustiça e a imperfeição sociais encontram campo livre para se impor. À ordem social orgânica do Mundo de Agharta impõe-se a desordem sistemática dos regimes da Face da Terra. No fundo, trata-se da problemática do binómio Autoridade Espiritual – Poder Temporal, por não se saber quais os espaços da sua exclusividade para que, efectivamente, sejam legítimos e não se corra o risco de cair em qualquer espécie de prepotência ditatorial, seja religiosa, seja laica, seja, e que é o mais comum, religiosa e laica ao mesmo tempo, o que, para todo o efeito, revela ser leiga no entendimento e apercepção metafísica da política, cuja ciência é destinada exclusivamente a servir o Bem comum, ao contrário do que sucede hoje: a política ao serviço do bem só de alguns. Trata-se da polis – origem grega da palavra política – aplicada como sistema de vida ao serviço da colectividade, o que levou o filósofo grego Simónides a pronunciar: “A polis é mestra do homem”, este tomado como unidade dirigida por ela, e serva do mesmo homem no plural da sua aplicação equitativa.

Exposta desta maneira, repara-se de imediato que a ideia político-social de Sinarquia não tem absolutamente nada a ver com quaisquer expressões partidárias, pois que é um estado de consciência social colectivo, eubiótico ou conformado ao “bem-viver” com o Todo e o Tudo auto-integrados harmonicamente um no outro, sob a égide de um governo único eleito pelo reconhecimento unânime da sua superioridade interior e capacidade exterior, capacitado a manter a ordem e a harmonia universal com justiça e perfeição. Por isto, a palavra sinarquia tem a sua raiz nos fonemas gregos sun+arkhe, isto é, “com princípio”, método e ordem justa e perfeita, o que vale por estabelecer harmonicamente a Concórdia Universal.

Isso acaba entroncando-se com as palavras preciosas de Helena Petrovna Blavatsky, remetendo a que antes de se querer ser deuses deve-se primeiro aprender a ser humanos:

“Aquele que obedece apenas às leis estabelecidas pela mente humana, que vive a vida prescrita pelo código dos mortais e a sua legislação falível, elege como sua estrela-guia um farol que brilha no mar de Maya, ou dos delírios temporais, que só dura uma encarnação. Essas leis são necessárias apenas para a vida e o bem-estar do homem físico. São como que pilotos guiando-o através dos baixios de uma existência, transpondo com ele o lintel da morte. Muito mais feliz é o homem que apesar de ater-se estritamente à realização no plano objectivo dos deveres da vida diária, à realização do direito de cada um e todos no seu país, representando, em suma, o dar a César o que é de César, no entanto, na realidade leva uma existência espiritual permanente, uma vida sem interrupções de continuidade nem lacunas e nem interlúdios, nem sequer nos Planos subtis que são lugares de paragem na longa peregrinação da vida puramente espiritual. Todos os fenómenos da mente humana inferior desaparecem como a tela de um cenário, o que lhe permite viver na região mais além do Plano perceptível, como a única realidade. Se o homem mediante a supressão e destruição do egoísmo da sua personalidade, conseguir conhecer-se a si mesmo como o que está por detrás do véu físico de Maya, logo ficará acima de toda a dor e miséria, acima do desgaste de toda a mudança que é a principal criadora da dor. Tal homem será fisicamente de matéria, mover-se-á rodeado de matéria e, todavia, viverá acima e fora dela. O seu corpo estará sujeito às mudanças, mas ele será completamente alheio a elas e experimentará a vida eterna, inclusive enquanto estiver nos organismos temporais de curta duração. Tudo isto pode conseguir-se pelo desenvolvimento do amor universal, sem egoísmo, à Humanidade, e pela supressão da personalidade ou desse egoísmo, que é a causa de todo o pecado e, por conseguinte, de toda a dor humana.”

Como tudo o que existe exteriorizado ao Homem está igualmente interiorizado nele, assim também o seu Theotrim, o seu “Deus Trino” se manifesta no Mundo das Formas por meio do Pensamento, do Sentimento e da Vontade. De facto, como diz com muita propriedade o professor Adhemar Ramos, o Pensar, o Sentir e o Querer são as três forças que a Humanidade utiliza constantemente, mas que no comum das gentes estão completamente baralhadas.

Dessa maneira, tais forças psicomotoras do Homem colectivo que é a Sociedade se auto-enfraquecem. Para a aplicação correcta da inteligência emocional ou psicomental, o primeiro trabalho a ser feito será separar tais forças para que sejam controladas e potencializadas. Sim, porque ao manifestarem Deus na Terra ou Corpo têm a sua origem no mesmo Deus no Céu ou Espírito, sendo a Alma o cabalístico Vau, Vale ou Palco cénico da Evolução, singular e plural.

Isso está em conformidade ao Projecto Sinárquico concebido pelo Professor Henrique José de Souza, sintetizado nestas suas breves mas preciosas palavras:

“A Teosofia é um plano universal de Evolução que segue três caminhos, desenvolvendo:

– A Inteligência pela Instrução;

– A Emoção pela Educação;

– E a Vontade pelo Trabalho.

Reconstruir! É o brado que nos compete!

Sim, reconstruir o Homem, o pensamento, a moral, os costumes; reconstruir o lar, a escola, o carácter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização.”

Em prosseguimento a isso e para arredar decisivamente quaisquer tendências sectárias político-partidárias extremistas inimigas do bem comum, passível de só ser gerado pelo perfeito equilíbrio ou neutralidade conforme a Balança da Lei, o Professor Henrique J. Souza rematou peremptório na revista Dhâranâ n.º 126 a 130, Outubro de 1945 a Dezembro de 1946:

“Em nossas fileiras não podem medrar, por absoluta inadaptação aos nossos princípios que alimentamos e defendemos, quaisquer totalitarismos, independentes das cores políticas com que se matizem, ou dos postulados que tentem impor. Devemos viver muito acima da Humanidade vulgar que se trucida em nome de um pseudo-herói vitalista, escravizador de povos e consciências, ou de um alegórico pão, sem o sal da liberdade e do espírito. Podem chamar-nos de presumidos, é verdade, mas à aleivosia responderemos com o Ideal de Fraternidade e de Cultura, que pregamos e defendemos.

“Como vivemos na Terra e somos partícipes, portanto, da vida que nos confere um certificado de cidadania, reconhecemos como forma política mais consentânea com a evolução actual da Humanidade a Democracia, porque é a que mais se assemelha ao Espírito Teosófico, pelo seu reconhecimento dos direitos imprescritíveis do Homem.

“A Sociedade Teosófica Brasileira condena, portanto, qualquer atitude dos seus filiados teosofistas que não se enquadre nos princípios acima expostos.”

O Discípulo verdadeiro só realizará integralmente a sua “Sinarquia Interior”, individual, atingindo positivamente a exterior social, colectiva, quando unir o Céu com a Terra em si mesmo e assim se iluminar humana e espiritualmente. Então a Sinarquia será realizada, por o Homem, a Sociedade e a Natureza constituírem um todo inseparável, justo e perfeito. É utopia? Claro que sim. Mas só no Presente, pois que o Futuro é mundo de possibilidades a realizar, sabendo-se que a maioria, se não a totalidade, das utopias do Passado de uma ou de outra maneira vieram a realizar-se.

Assim queira o Eterno presente no Homem.

BIJAM

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