Defesa de Colombo e Cabral. Crítica ao racismo, às raças e aos EUA – Por Javier Alberto Prendes Morejón

Cristóvão Colombo

Pedro Álvarez Cabral





A atual onda de rebelião político-cultural deflagrada com o assassinato de ente negro (25 de Maio de 2020) nos Estados Unidos da América, de forma brutal e covarde por policiais brancos, em meio às súplicas daquele, fez eclodir na “bomba-relógio” dos ânimos semiadormecidos ou semissoterrados das massas, mas sempre intranquilos, o resultante e convulso repúdio a este que é um problema magno desde a fundação daquele império contemporâneo – o racismo contra negros, em especial, afora latinos e asiáticos, também, infelizmente, neste rol -, que tanto avexa uma nação que se auto-intitula a melhor dentre todas. Ufanismo barato, desde logo. Evidente é que, se esta questão formada em preconceitos de pseudo-superioriedade, discernível em primeira instância pelo pigmento da pele, faz parte há tanto tempo da história da nação mais forte de todas, então o “melhor dentre os melhores” é plenamente falho e prenhe de injustiça, e isto, certamente, não é critério para ser sensato admitir o epíteto de “melhor democracia do mundo”. O é tão-só pela metade. Poderá ser um país melhor que outros, mas jamais o “melhor” se coexistindo com erros como esse. A vaidade patriótica cega a mente e percute erros de caráter moral. Esse ufanismo tão generalizado e incutido na alma dos seus nativos, prova haver um senso de vaidade, orgulho non sense, irreflexão em massa e egolatria próprios dessa grande nação. E a maioria das nações que chegam ao topo, devem costumar agir assim, por simples deficiência da alma humana, tão passível de ser alçada aos píncaros da consciência, quanto aos derradeiros sofrimentos de um inferno criado por ideias próprias. Necessário é dizer, também, que para que este império possa-se igualar ao grau de maravilhas filosóficas e mistéricas da Antiguidade Ocidental e mais que tudo Oriental, e ainda mais proto-histórica remontando à citada Atlântida de Platão… falta-lhe enormes passos; o mesmo vale para a Rússia. Enquanto houver a ideia de DOMÍNIO e pseudo-superioridade, distinguindo-se os homens pela cor dos olhos e a tonalidade das peles, jamais haverá FELICIDADE. 

As palavras de Helai Selassie, último imperador da Etiópia (antiga Abissínia, no flanco leste da África), são mais que pungentes como verdadeira mensagem de amor e sabedoria ao mundo desumanizado:





Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que a cor dos olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal.

Discurso de Selassie na Liga das Nações em 1936





Convulsionou-se no passado, na Independência de 4 de julho de 1776, e na Guerra Civil de 12 de abril de 1861 a 9 de abril de 1865, sobre o mesmo fato, e por uma “sorte tal” logrou a secção anti-racista, cheia de maçons iluministas, vencer a contenda… mas a outra parte continua sendo a metade da nação, e há certos valores culturais inextricavelmente baseados em profundos egoísmos que tendem a dissolver-se, quando muito, após longos séculos de trabalho contínuo, em assídua reeducação e propaganda moral em vista da implementação prática do ideário da Fraternidade. Tal é o caso do racismo no mundo contra negros e a própria mentalidade do “colonialismo psíquico” dos tempos presentes dos países de trópico norte, nisto aí incluído os Estados Unidos da América, que apesar de ter sido colônia e ter se libertado, há tempos é como uma metrópole – imperialista – agindo sobre o centro-sul de seu continente, e alargando seus braços muito corrompidos pelo orbe. Será um abraço ou uma pretensão de asfixia e sujeição às suas vontades? Cabe ao sul da América, creio e espero, que este magno problema das diferenças de cores seja absolutamente superado, embora nela também se padeça desse cancro. O ódio contra o pretenso “superior” e o ódio deste contra o pretenso “inferior” nada mais alicerçam senão o mover contínuo e feroz de uma antiga e gastada Roda de egoísmo e ignorância, para não dizer maldade vil e desrespeito à vida.

Igualmente, neste fanatismo das ideias, há sempre o “bode expiatório”: ora são os negros, os de esquerda ou os de direita, os índios, os gays, os pobres, os livres-pensadores, os ocultistas, os judeus, etc. Embora perseguidos desde sempre por um tipo de cesarismo de ideias e atitudes, continuam a existir e continuarão. A perspectiva de uma Idade Dourada vindoura é real, conforme as várias “Promessas” feitas pelos diversos Avataras, mas pertence a um futuro ainda distante. Enquanto tal desígnio não se der, a humanidade viverá tribulada nesta Kali Yuga, mas sempre evoluindo, mesmo que lentamente, em contínuas espirais. Nosso Presente é melhor do que nosso Passado, por mais cruel e injusto que ele possa ainda ser. Não cansamos de nos lembrar como fora terrível a Idade Média e como o mundo de hoje fora o renascimento do espírito de pesquisa e liberdade, só possível de ser encontrado nos sábios de outrora e nas suas respectivas sociedades que ajudaram a abrilhantar o mundo em determinados setores, especialmente durante certos períodos. 

Não fosse o amparo dos antigos, o homem moderno não seria nada. Fitou primeiro os gregos e romanos, para nos séculos subsequentes virem à luz estonteante os egípcios e hindus, e todo Oriente. Eis a civilização europeia, branca, a amparar seu moderno cientificismo no diapasão dos “atrasados e mirabolantes antigos” com seus gostos por Mistérios; e depois a inundação do Oriente na cultura ocidental, a influir, creio, decisivamente no seu destino. Está por se espiritualizar o Ocidente com a divina e vetusta seiva espiritual das plagas Orientais, e chegar, quiçá, a ser o cenário de uma nova Era de Ram, dos albores da Raça Ariana, onde principiou uma Satya Yuga. Desde logo que esta Idade de Ouro bramânica ocorreu no passado diversas vezes, assim como acontecerá novamente no futuro. 

Os Estados Unidos da América, dentro do grupo de países mais desenvolvidos, é um dos mais desiguais. Como poderá ser o “maior país do mundo”, se nem se equipara, em termos de estado social, de conforto societário, às repúblicas nórdicas da Europa setentrional? Democracia e capitalismo melhor que o deles são o de certos países da Europa, e mesmo o Canadá, pouco importando se o PIB é menor. Quantos casos de violência também não há nesse país? E quanto ao problema com as drogas? A legalização e glória da indústria pornográfica? Os casos de violência sexual contra mulheres? O número de casos de jovens que saem matando outras pessoas em escolas e outros lugares? A corrupção e monopólios, empresariais ou outros, absolutamente antidemocráticos? A chacota e o preconceito contra latinos? O número de doentes mentais e transtornos psíquicos e físicos? O número de miseráveis? Etc. etc., numa longa lista que envergonharia a qualquer nação decente e a poria de pronto a pedir perdão pelos seus erros. Como pode ser esse um país ideal ou realmente bom, estrito senso? Temos de nos conformar com o “melhor” ser tão deficiente assim e essa será a nossa medida? Recuso-me inteiramente. Tantas coisas podem ser ditas a esse exemplo contra o discurso ufanista e míope que tão prontamente proferem os estadunidenses comuns… Vã glória, dizemos nós.

Certamente que um dos piores fatos refere-se às armas nucleares. Entre todas as nações, apenas os Estados Unidos da América chegou a utilizar tais armas contra outro povo, vitimando só numa das explosões aproximadamente 90.000 pessoas, nisto que é um crime de lesa-humanidade e lesa-divindade, mesmo em se tratando do caso de uma guerra justa diante de um inimigo implacável e de ânimo acérrimo. Mais do que isso, rebaixou-se em querer ter o maior arsenal de bombas nucleares durante a Guerra Fria, para com isso garantir seu poder e satisfazer assim a glória dos seus barões da guerra, resquício de tudo que há de podre vindo do passado, que antes de tudo querem lucrar e submeter a ciência aos seus interesses particulares em detrimento do bem comum. E todos os testes nucleares realizados até hoje, em grande escala, tem contribuído para o acentuamento das condições climáticas hostis ao ser humano e interferido também, inclusive, no aparecimento cíclico dos discos voadores, cuja procedência é bem sabida de certos teósofos e ocultistas. Tem-se mesmo notícia, nos meios teosóficos da lavra do Professor Henrique José de Souza, da utilização destas armas em testes subterrâneos que teriam afetado gravemente o Retiro Privado de Adeptos em El Moro (Novo México), e até mesmo os Mundos Intraterrenos onde se encontram as cidades Aghartinas. Desde o princípio o Governo Oculto do Mundo (G.O.M.) teria avisado as pessoas necessárias, nos Estados Unidos da América, para que essa nova tecnologia não fosse usada para fins bélicos. Grande desgosto teve Einstein em ver a invenção para a qual tinha contribuído ser usada para fins contrários ao seu declarado pacifismo; desgosto maior o de Santos Dumont, chegando a suicidar-se. E ainda há no mundo hordas inteiras de pessoas que não compreendem porque certos conhecimentos jamais deveriam ser dados à luz, se o homem continuar tão vil e mesquinho como é! Daí falar-se que os Estados Unidos da América estão desassistidos dos Deuses ou do mesmo G.O.M. Para completar-se a parte mística deste texto, resta citar os fatos bem sabidos dos “teósofos henriquinos”: do privilégio da sexta sub-raça ariana ter sido transferido, por conta das questões citadas acima, para o Brasil, agora berço das sexta e sétima sub-raças arianas.  

Fato consabido de todos é ser o Ocidente o hemisfério que lidera o mundo, especificamente o Novo Mundo, e sua parte norte. Fé e opinião minha é continuar a ser o Novo Mundo tal líder, acrescido à decadência dos Estados Unidos da América seguir-se o crescente apogeu do Brasil e da América Latina como um todo. Como os homens não veem mais além de seus curtos períodos de vidas – nem isso lhes interessa, pois não estarão mais aqui, ignorando a Lei de Reencarnação, que um dia será lei defendida por todos -, o que poderá ser um fato concreto no futuro, no presente se emitida semelhante opinião, só pode ser uma quimera para deboches ou no máximo uma esperança bonita que acalenta sonhos primaveris. Mesmo que não o creiam os brasileiros de hoje, devem ainda assim ouvir falar de que para esta nação há um sonho divino… Mais do que isso, é terra visitada por seres da mais Alta Iniciação na terra, que também tem aqui suas localidades sagradas e insuspeitas. Há para o sul e seu Cruziat esplendoroso todo um divino querer da Lei que a tudo e a todos rege. 

Que os homens de hoje comecem a se familiarizar com certas profecias, ocidentais e orientais, deve ser coisa do estudo próprio de qualquer intelectual digno desse nome. O mundo, em síntese, para o futuro, deve ser a superação evolutiva entre o concreto e o abstrato, o realismo e o idealismo, o masculino e o feminino, e a fusão perfeita entre Religião e Ciência encaradas sob um mesmo arcabouço que tudo contemple e que constituirá um dogma único universal. Será a união de todas as Igrejas numa só, por fim.

Nada deve o íbero-afro-indígena ao anglo-saxão-teutônico do Norte da América e da Europa. Nada deve-lhe em cultura nem em beleza nem em espiritualidade. O caldeamento destes com todos os outros elementos da terra, é por si um sinal do advento de um Novo Ciclo, remontando a Cristóvão Colombo e a Pedro Álvarez Cabral como seus lídimos precursores, nisto que é o Itinerário de IO. Estes com razão foram Grandes Homens; o comprova a dignidade de seus graus iniciáticos e a identidade de suas verdadeiras origens, absolutamente desconhecidas para a história profana.  

Culpar a Colombo ou Cabral pelo genocídio posterior de índios e negros é um erro crasso e sem fundamento. Antes de tudo, redescobrir o “novo” mas velhíssimo continente (já há muito conhecido e citado por diversas fontes) era uma necessidade kármica levada a fim pelos próprios Deuses, e assim mesmo a criação de civilização nestas bandas, não mais indígenas exclusivamente, mas de todos e para todos, aliás, refúgio para os deserdados da vida, dos perseguidos, dos maltratados, dos escorraçados de todas as partes. Deus o quis! Colombo e Cabral, altos iniciados, foram seus privilegiados instrumentos. Se é verdade e acreditamos nas fontes ocultistas que dizem-nos que ambos foram aghartinos, como atribuir-lhes o racismo, desde que os habitantes desse mundo estão acima dos preconceitos vulgares dos homens? Se Deus e os Deuses não fazem acepção de cores ou raças? Nenhum verdadeiro iniciado, ao menos na Boa Magia, pode sê-lo; ao contrário, preconiza a fraternidade, e deve ser justamente no Novo Mundo onde a Fraternidade Universal se fará patente cedo ou tarde, conforme os desideratos para os quais obram as divindades vivas e seus conspícuos discípulos. Foi, pois, desejo da Obra do Eterno a fusão do branco, do negro e do amarelo-vermelho numa nova terra que passaria a representar um mundo de novas liberdades frente ao já decantado e opressivo Velho Mundo. Enquanto o resto do mundo passa pela Destruição, na América goza-se – em parte e ainda incipientemente – da Construção, e seu caldeamento de gentes, nunca antes visto, não pode ser mera casualidade nem fato kármico supérfluo.

Este texto, desde logo, não é para o cético materialista, o acadêmico “enfatuado com saberes insignificantes”, e nem mesmo para o achegado aos espiritualismos astralistas e animistas em voga, nem tampouco para os fãs vintage de arianismos e comunismos deprimentes. Escreve-se para quem tem olhos e deseja ver!  

Além do mais, quais são as provas verdadeiras que imputam a Colombo ou Cabral serem assassinos, estupradores e racistas, como bradam por aí? De onde forjam tais atrocidades intelectuais? Onde estão documentados tais supostos fatos? 

Deve-se superar o colonialismo mental de nossos tempos como sul-americanos, mas urge saber separar o joio do trigo, sempre. Este saber, próprio de um sábio, não é o quinhão cultural da época atual – de brancos ou negros -, nem o tem sido desde longas idades. Resta senão a confusão mental, as distorções sem limites e o erro contínuo. Faça-se, ainda assim, a Justiça, mesmo que apercebida por poucos!

A corrente onda de manifestações oriundas dos Estados Unidos da América, se por um lado é movida por motivo justo, por outro é como é próprio das massas enfurecidas: destruição a torto e a direito. Se alguns monumentos merecem ser retirados ou denegridos, é bem possível em alguns casos, mas muitos outros o são sem razão alguma, como é o caso dos monumentos de Colombo, Cabral e até mesmo do Padre António Vieira, que era mestiço mulato! Quer-se reformar, mas não se sabe discernir com perfeita lucidez, e nisso ceifam-se as cabeças mais nobres. E ocorre, nos outros países, o mimetismo ignaro de simplismos culturais e noções preconceituosas, denotando ampla ignorância. Tudo que ocorre nos Estados Unidos da América afeta por reverberação o Brasil e o Mundo. 

Outro erro dos que assumiram posições nas fileiras da insurgência anti-racista, foram os que passaram a promover e apoiar o grupo Antifa, pois este é um grupo comunista amalgamado a anarquistas, e ambos são filosofias pueris, sendo o primeiro comprovadamente totalitário. Sua filosofia: a mudança pela violência, a reação pela força, como se desta pudesse advir a FELICIDADE E A PAZ. Falta de filosofia elementar! Muito distinta é aquela atitude de Gandhi, vencendo uma luta pela Independência apenas através do pacifismo e da valorização da cultura pátria (Valor e Identidade, Patrimônio)… mas era ele da Índia, e isso já diz tudo! Que outras táticas poderiam ter os ocidentais, senão recorrer à força bruta para realizar suas revoluções? É a única coisa que tem na cabeça. Em verdade, astral hediondo a que quase todos se submetem como prodigiosa tática de Libertação!… É que falta-lhes a estes o verdadeiro Cristo em seus corpos e corações. 

Não deve ser pelo simples fato de nascermos numa raça de determinada cor que devemos assumir integralmente suas vicissitudes em forma de sistemas religiosos, filosóficos, hábitos sociais, etc. etc. Não deveria esquecer-se o negro de algumas coisas importantes, que cito-as porque não são citadas por eles mesmos nem por outros, a não ser raramente: 1° – muitos séculos antes dos europeus colonizarem a África, os negros já escravizavam outros negros para vendê-los, o que prova ser o “racismo” ou a escravidão algo não superado por eles mesmos; 2° – os negros na África já trucidavam a seus povos vizinhos, também negros, muito antes dos europeus, pois quando o europeu lá chega, a África há muito era um continente decadente por culpa própria, ou… terrível karma por pecados passados!; 3° – se fossem os negros a colonizar a América, teriam feito exatamente como os brancos: escravizado e trucidado; 4° – há racismo entre os próprios negros: ora contra os brancos, ora contra os de sua própria cor, por exemplo, os que tem coloração mais suave e perto da branca; 5° deve-se ao negro a importação massiva ao Novo Mundo da Magia Negra, a qual se referem a macumba e o vodu, pese a ignorância de tantos sobre Ocultismo, porque simplesmente não estudam!    

Não é, enfim, nenhuma cor melhor que outra; apenas o estado de consciência que predomina em determinada raça e nos indivíduos em particular tem importância. Ao negro, cabe lembrar ou dizer-lhe por vez primeira, que um dia no passado longínquo fora a sua raça a que dominou o mundo, antes de perder-se nos abismos do psiquismo necromântico, sendo nesse passado o branco quem teve de resistir às suas investidas imperialistas. 

Trazendo à tona as Leis de Karma e Reencarnação, vê-se como o nascimento em determinado lugar e povo nada tem de acidental, como costuma-se pensar. Logo, nascer em raça decadente ou não, e viver em específica coordenada geográfica, só pode ser condizente com as tendências kármicas de cada indivíduo, ou no caso da encarnação proposital de um Adepto com fins redentores. Se a escravidão é em si deplorável, o é também reunir tendências kármicas negativas que possibilitem um nascimento nessa condição. Não vemos, nesse ponto, como grandes Iluminados terem podido nascer em tal condição; ao contrário, em geral, pertenciam às castas mais elevadas, ou nascidos em modesta condição.

O proletário, escravo, pobre, só pode ser possível, por Karma, àqueles que recentemente adentraram no Reino Hominal, estando ainda minguantes as suas faculdades intelectuais e os sentimentos humanos mais nobres, pois ainda não houve tempo para experenciar e amadurecer o suficiente. Conforme a evolução da alma, passa-se pouco a pouco, durante diversas encarnações, às castas superiores, por mérito pessoal, e mesmo durante uma única encarnação, pois antigamente havia flexibilidade entre as castas. Isto segundo um arquétipo evolucional ideado pela Lei e instituído por Manu, mas desvirtuado em suas bases ao longo dos séculos, chegando à Índia do século XX o sistema de castas como degeneração absoluta do que fora antes aquando da sua instituição e especialmente antes do início da Kali Yuga que se sucede após a morte de Krishna. Nosso atual sistema sócio-econômico burguês, entretanto, faz com que por necessidade de sobrevivência básica, aquelas almas que já trilharam longo caminho no dito Reino, tenham de trabalhar uma vida inteira ou parte dela em condições materiais e circundado por características intelectuais e espirituais muito abaixo da já adquirida por si. Dá, por outra parte, excelentes condições materiais àqueles que são subdesenvolvidos nesses mesmos quesitos, mas que porém tem inteligência suficiente para ganhar dinheiro – são os astutos que preferem atalhos ao invés de sangrar no longo e estreito caminho do Bem. Estas, por tanto, são as duas condições: o assumir uma posição baixa por Karma, ou por imposição tirânica da sociedade. 

Irmanados num só laço, todas as raças devem misturar-se, até existir um só povo Jina na Face da Terra, ao contrário do que hoje sucede, que é a existência de povos dessa natureza em lugares remotos e passando insuspeitos pelo mundo. 

Grato deve ser o Brasil pelo colonizador que teve, e assim mesmo o resto da América Hispânica com relação à Espanha. Ser colonizado pela Ibéria não é fato rebaixado à mera condição de “infelicidade” histórica, mas antes o seu contrário radical, tanto no aspecto mundano quanto no iniciático, ou da história convencional frente a história oculta. 

A mistura de raças e culturas na Ibéria é riquíssima, síntese do Passado, e algo um tanto particular para a Europa nesse sentido – fato admirável; por causalidade, dessa região de grande miscigenação foi propelida a criação de um novo mundo que estaria marcado desde o princípio por essa mesma característica, dando lugar à maior democracia racial do mundo, que é o Brasil – santo previlégio! Igualmente, Portugal e Espanha, a seu tempo, foram as maiores nações do mundo, logo durante o decurso dos Descobrimentos. Mistericamente, Portugual (especificamente Sintra) está para o Presente como o Brasil (especificamente São Lourenço) está para o Futuro. Também Portugal tem sido terra de Adeptos e poetas da mais alta envergadura. Não se deveria culpar um pai (Portugal), apesar de seus possíveis erros, pelo caminho que decide traçar o filho (Brasil), pois embora o influencie não determina. Tal fato dá-se também entre astros e homens. Se não chegou a desenvolver-se tal como os Estados Unidos da América, não se deve ao colonizador ser ibérico; deve-se antes de tudo ao seu próprio mérito ou, no caso, desmérito. Leve-se em consideração, também, a presença dos eternos inimigos da Lei, os Nirmanakayas Negros.  

Lembremo-nos também da colonização portuguesa ter sido melhor que a espanhola e a anglo-saxã no tocante aos índios e negros: se nos Estados Unidos da América o índio foi praticamente exterminado, num esforço secular apoiado pelo governo, no Brasil ainda há tribos indevassadas em certas regiões, como a Amazônia, e outras tantas semi-selvagens, além da grande miscigenação racial entre o amarelo e o branco, fora a grande miscigenação entre estes dois mais o negro, fusão que é a marca própria do “homem novo” surgido na América – futura RAÇA DOURADA. Nesse sentido tivemos mais “sorte” com o colonizador português, embora também este tenha causado dores sem conta a negros e índios. Mesmo o espanhol não foi melhor que o português, nessa questão; veja-se, por exemplo, Cuba, onde também os índios foram praticamente exterminados. 

Tudo isto para relativizar a opinião geral do “grande azar” que teve o Brasil em ser colonizado por Portugal, e de que “tudo é culpa” de Cabral. As gentes que assim pensam, denegrindo o grande desbravador lusitano, não são dignas sequer de dirigir-lhes a palavra, muito menos de beijar-lhes os pés, caso estivesse vivo. Mas digamos mais sobre particularidades dessa grande nação lusa, que deu ao mundo alguns dos maiores poetas da modernidade. Ao contrário do geralmente ocorrido historicamente, a Coroa portuguesa decide instalar-se no Brasil, durante a invasão napoleônica da Ibéria, e mais importante, é o próprio regente português Dom Pedro I quem decide tornar o Brasil uma terra independente da metrópole; mais importante ainda, quiçá, é que fora Dom Pedro II quem decidiu por não reprimir o golpe de Estado, de cunho militar, tramado por maçons desejosos de implantar a República. Isto, por acaso, são atitudes típicas de déspotas? Enquanto a generalidade das nações debatem-se em rios de sangue pela luta por sua liberdade, em relação à opressão das metrópoles imperialistas, graças a estes altivos soberanos portugueses, na história brasileira, tudo se dá de forma pacífica, fato que corrobora a tendência não-beligerante da maior nação da América Latina. Como pode um brasileiro de bom senso negar tais fatos e com eles não regozijar-se? 

Quando Portugal e Cabral tiverem outra representação na memória nacional comum, estará a gestar-se novos rumos na consciência pátria. Parte dessa representação está claramente ligada ao “esquerdismo”, grandemente marxista, que não passa de ideologia bastarda e barata. Só o que deve predominar, para a civilização, é o humanismo isento de apetrechos filosóficos vulgares e materialistas. 

O branco português, apaixonado, tomou a negra e a índia como suas esposas, e delas fez suas princesas e de seus filhos fez-se o brasileiro autêntico: o caboclo, cafuzo e mameluco. Não foi o português que domou o tupi, mas este àquele. O tupi agora é o Brasil, vangloriado pelas vanguardas, e não ruína nem esquecimento. O “CaramuruDiogo Álvares Correia não tomou à força a bela Catarina Paraguaçu, mas antes foi oferecida pelo cacique tupinambá, que tinha o navegador em alta estima, por ser um verdadeiro CAVALEIRO.  

Prova-se que a Lei tinha por plano redescobrir as terras à extremo Ocidente, também, pelo testemunho de certos xamãs e pajés do norte a sul das Américas, quanto ao fato de avisarem há muito tempo de que ocorreria tal contato com povos brancos, loiros ou não, que dariam um golpe fatal às sociedades indígenas de então.   

Também, defendendo os índios, não deveríamos deixar de notar-lhes certas características negativas, apenas por defendê-los. Separe-se, sempre, o joio do trigo. Refiro-me, por exemplo, à necromancia habitual de inúmeras tribos, figurada nos rituais canibalistas com pseudo-motivos espirituais do mais sórdido nível. Que este mesmo hábito cultural estivesse banido da sociedade europeia, mostra que nesse particular ela era mais avançada, além do evidente domínio tecnológico. Um segundo fato refere-se às guerras constantes entre tribos por territórios, riquezas, mulheres, escravos, constantes raptos, etc., o que faz-nos pensar que a América indígena não era, nos tempos de Colombo e Cabral, nenhum lugar edênico nem santo. Em terceiro lugar, quando da invasão pelos espanhóis, os Astecas já eram um povo em via de decadência, tendo suplantado séculos antes um povo mais culto e avançado que eles, os Toltecas. Os albores promissórios de Astecas, Toltecas e Maias já havia passado, restando um corpo morto que outrora fora aquiescido por Deuses Vivos, Parelhas Divinas ou Gêmeos Espirituais. Foi nesse contexto que deu-se a colonização, e também por isso a conquista bélica não fora das mais difíceis.

Fique claro que a aberração dos Astecas de fazerem sacrifícios de homens, mulheres (às vezes grávidas ou ainda virgens) e crianças, além de animais – ritual necromântico por excelência -, era para agradar não aos “Deuses”, pois estes não poderiam compactuar com tal tradição, antes abominá-la, mas sim aos Elementais, artificiais ou não, e às Egrégoras Sinistras há muito vivificadas com tais crimes. Próprio da Magia Negra é adorar tais Elementais como se fossem “Deuses”, e confundindo-se uns com outros, acrescido de outras criaturas astrais. Os próprios cultos africanistas estão centrados na adoração, comunicação e utilização desses seres, chamados ao mesmo tempo de “Santos”, “Anjos” e “Deuses”, mas em verdade muito abaixo, na escala evolutiva, do próprio homem; na realidade, abaixo mesmo do Reino Mineral. Nada tem de “superior” esses seres, pois, como Forças Primárias da Natureza, são semi-inteligentes, e tanto atuam a favor da humanidade quanto em seu detrimento, dependendo apenas da vontade que magneticamente os domina e lhes determina as funções que seguir, seja um homem, um Adepto ou um Anjo. No mais, a outra “entidade” que tem alguma importância central em tais tradições animistas, como a do Candomblé, Umbanda e Espiritismo (que hoje se confundem completamente junto a outras coisas mais), são a dos entes falecidos, que apesar de migrarem para novo plano e terem de seguir um diferente curso de existência, insistem em atrelar-se à terra ou melhor, são insistentemente invocados a aqui aparecer, coisa não aconselhável nas práticas de Magia Branca e que foram proibidas por Moisés, por ser considerado ritual de feitiçaria – evocação dos mortos, pois deveriam descansar em paz, afora tantas outras razões -, coisa que os cristãos espíritas parecem não saber ou preferem tapar os olhos. Nenhum nem outro, Elementais ou almas defuntas no Kama-Loka, poderão ser “Deuses”, “Anjos” ou mesmo “Adeptos”. 

Se estas tradições africanas ou afro-americanas são animistas, quer dizer que estancam no Astral e dali não saem. Ora, este não é nem mesmo um dos Princípios Cósmicos ou Humanos mais elevados, dentro da classificação setenária daqueles. Ao contrário, está abaixo do próprio Mental, que é divido em duas partes, quanto mais de Manas Arrupa, Budhi e Atmã, o quinto, o sexto e sétimo princípios ultérrimos. Se estes três últimos constituem o Eu-imortal, o Mental Concreto, o Astral, o Vital e o Físico figuram o Eu-transitório, a Personalidade mortal e não a Individualidade indestrutível. Todas as tradições especificamente animistas, portanto, estão ancoradas na natureza inferior do ser humano, e utilizam práticas que pertencem ao Passado remoto, hoje ultrapassadas pelo desenvolvimento do Mental Abstrato em junção com os lampejos de Budhi ou a Intuição. Tal animismo, portanto, não passa de Involução. 

No futuro, logo, o culto aos Elementais e o fascínio pelos mortos, que teimam em não serem deixados em paz – justamente naquele mundo que lhe dá a recompensa ou castigo pelos seus atos em vida, e supõe ser um descanso antes de nova reencarnação -, será, como se pode conjecturar, um resquício de tempos em que a Humanidade ainda persistia na via da dor e da ignorância. Também a América tem um grande papel a representar nesse sentido, pois nela processa-se o surgimento da “Raça Dourada”, onde os indivíduos atingirão níveis de consciência cósmicos.  

O mundo, encadeado ao erro, perseguido ao mesmo tempo que alimentando uma Hidra de duas cabeças – a Ignorância e o Fanatismo -, não passa, atualmente, de um rastro tifônico que tudo devasta, sendo toda riqueza maldita por não brindar ao mundo reais condições superiores de vida, nem sendo também todo progresso técnico senão ilusão, porquanto o coração dos homens continua mesquinho e contrário nos atos às palavras dos grandes Iluminados. 

A questão do sofrimento não está no sofrimento em si, mas em nossa capacidade de o enfrentarmos com temperança e resistirmos ao desejo fatal do suicídio, que é um crime contra a Natureza. É querer desta, independente das condições sociais nocivas ao ser humano, criadas por ele mesmo no usufruto errôneo de seu livre-arbítrio, o de termos uma vida o máximo longeva possível e pautada em felicidade. É esse o derradeiro sentido a que projeta-nos a Natureza, e que ela insistentemente quer fazer conhecer aos homens, para que lutem por este ideal. Deve o homem, por isso, aprender a viver, e viver para aprender a morrer. 

Que tudo que é falso desmorone no ar – a começar pelas ditas semi-amizades e todos os erros e preconceitos – e se refaça no porvir como coisa esplêndida – quer dizer, num Novo Ciclo. 

Este pobre manifesto de palavras visa defender as augustas personalidades dos grandes Iniciados Aghartinos – Cabral e Colombo – e pôr em seu devido lugar, julgo eu, a brancos, a negros e amarelos, pois no fim nenhum é superior ao outro, nem nenhum está isento de erros crassos e anti-humanitários. Todos terão de pagar karmicamente pelos seus erros!





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